25 novembro 2019
Markão Aborígine recebe Prêmio Marielle Franco
Organizado pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) da CLDF, a iniciativa busca reconhecer e valorizar o trabalho de defensoras e defensores de direitos humanos em diversas áreas de atuação. O processo de indicações foi realizado através de um formulário online, em que foram recebidas mais de 100 sugestões de pessoas, organizações, servidores públicos, trabalhos acadêmicos e serviços públicos que se destacaram na defesa dos direitos humanos no Distrito Federal. Qualquer pessoa poderia se indicar ou fazer uma indicação, desde que não fosse servidor(a) da CLDF.
“Vivemos tempos de criminalização daqueles que defendem a dignidade e os direitos das pessoas. Ao reconhecer publicamente trabalhos desenvolvidos em nossa cidade, buscamos incentivar mais atores a se engajarem na defesa dos direitos humanos”, destacou o presidente da CDH, deputado Distrital Fábio Felix (PSOL). O parlamentar também reforçou a necessidade de implementação de medidas que objetivem proteger aqueles que hoje assumem essa defesa, uma vez que há perseguição, ameaças e risco de morte, como no caso da vereadora Marielle Franco.
A solenidade de entrega do Prêmio ocorrerá no dia 28 de novembro (quinta-feira) às 19h no plenário da Câmara Legislativa do DF. A entrada é livre e gratuita.
Marielle Franco: uma trajetória em defesa dos mais vulneráveis
Marielle Franco foi vereadora pelo estado do Rio de Janeiro. Sua atuação em movimentos sociais e no mandato foi centrada na defesa dos direitos das mulheres, da população negra, vulnerável e periférica. Marielle também trabalhou na Coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No dia 14 de março de 2018, Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram brutalmente assassinados e, até hoje, o crime não foi elucidado.
“A execução de Marielle é um ataque direto à Democracia. Não podemos aceitar que uma representante do povo, legitimamente eleita, tenha sua vida encerrada durante o seu mandato por representar os direitos das minorias. Mais do que nunca, é imprescindível valorizar as iniciativas que colaboram para a construção da justiça social”, alegou o deputado Distrital Fábio Felix.
22 outubro 2019
Aborígine & DJ Raffa apresentam: Meu Menino
O lendário DJ Raffa (Os Magrellos, Baseado nas Ruas, Sabotagem) acaba de lançar seu álbum comemorativo de década chamado DJ Raffa 35 anos. A série de álbuns já contou com participação de X, GOG, Consciência Humana, Voz sem Medo, DeMenosCrime entre outros, tornando-se um marco e clássico do Rap Brasileiro, agora, reúne artistas da nova geração e clássicos produzidos pelo maestro.
Nesta edição reúnem-se Viela17, Baseado nas Ruas, Provérbio X, RAPadura, Crônica Mendes entre outros. ABORÍGINE ou Markão Aborígine apresenta a faixa MEU MENINO que conta com participação da cantora Talíz. A música versa, num Rap feito em diferentes métricas, sobre a marginalização das juventudes, o falso encantamento que o crime provoca ao questionar as responsabilidades do verbete e gíria 'dá nada' ou 'num dá nada'.
O MC reflete sobre as consequências deste entendimento, afirmando que tais atos praticados podem custar 1, 2 ou 7 anos, com as dores refletidas nos prantos familiares.
OUÇA AQUI
Inscreva-se no canal https://www.youtube.com/user/djraffasantoro
26 setembro 2019
Caminhão de mudança
Acordei mais cedo que nos outros dias
Ao meu lado algumas caixas e minha mochila
Demorei a levantar, me perdi olhando o teto
E ao redor, visualizando cada objeto
Vi a marca de poeira que o calendário deixou
Com aquela foto que tirei no colégio
Ele não servia, era de um ano anterior
Eu vestido de vaqueiro e um sorriso sincero
A despedida dos amigos foi com uma caneta
Não era final do ano, mas escreveram em minha camiseta
Eu sem forças, só consegui levantar da cama
Quando ouvi o barulho do caminhão de mudança
Mil perguntas, mil questões
O olho lacrimeja com mais mil palavrões
Como ficará a medalha desse ano
Se no interclasse não continuarei jogando?
"porra mano"
Lá na escola gostava de uma menina
E não tive o tempo de me declarar
Lembro que tremi quando ela escreveu na camisa
Por isso mesmo nunca vou lavar
Manhã de sábado, tão cedo
Sem tomar café sai de casa com muito medo
Dos amigos da rua não estarem acordados
Mas pela última vez pude abraça-los
"falô otário"
O caminhão só não é mais velho que o colchão
De uma família que pagava tanto de aluguel
Quantas vezes minha mãe pediu perdão
Pois o presente de natal foi esquecido por Noel
Nunca me importei com isso, verdade
Mas se pudesse me desfazia e não levaria algo pra outra cidade
Não entendo porque precisamos de geladeira
Se na maior parte do mês só tem garrafa d’água cheia
Mas pra minha surpresa, ela combinou com a cozinha: pequena
Não entendi, mas minha mãe disse que cabe em nossa renda
Estava feliz de verdade
Falou que venceu o aluguel e fila de anos da Codhab
Meu filho esse é seu quarto
Simples e dividirá com sua irmã Gabriela
Daqui a quatro meses sobrará um dinheirinho
Eu compro sua bicicleta!
(...)
20 novembro 2018
Novo clipe do Aborígine remete ao Massacre de Barbacena
Ambientado num manicômio, extrapolando o conceito artístico, o novo clipe de Aborígine versa sobre visibilidade e tranformação. Lançado, numa escolha política, em 20 de novembro, dia Consciência Negra, remete ao Massacre de Barbacena, conhecido como holocausto brasileiro, onde aproximadamente 60 mil pessoas foram assassinadas, a maioria negras e negros; incluindo, no mínimo, 33 crianças.
A luta antimanicomial é presente e pauta importante. Representa a aceitação do diferente, do diverso. À época de Barbacena, pessoas eram jogadas no hospício por serem alcoolistas, homossexuais, moças "desvirginadas", meninas grávidas pelos patrões ou apenas divergiam do regime militar instaurado.
O Massacre de Barbacena deve ser conhecido e aprofundado no ensino básico, a história afrobrasileira, tão excluída, pode enriquecer nossos currículos e fazer a educação tomar partido pela vida e humanidade.
....
▶ FICHA TÉCNICA :
Produção executiva: M.A.B.O Prod.
Produção audiovisual: AVOE / @avoetv
Produção musical: LP Estúdio, Nexx e Thiago Raiz
Gravado por: LP Estúdio
Montagem e Scratchs: DJ Léo Gueddez
Assistente de produção: Saulo Trindade
Gravado no Complexo Cultural Samambaia
▶ ATORES:
Carrasco 1: Nexx
Carrasco 2: Saulo Trindade
Enfermeira: Jandy Souza
Paciente 1: Xande
Paciente 2: NowBru
Paciente 3: Kalango QI
Paciente 4: Tarcísio Pinheiro
Paciente 5: DJ Liso
Paciente 6: Deivide Hunter
Tatuador: Glauber Santana
19 novembro 2018
Na fortaleza de Dragão do Mar
“Na Fortaleza de Dragão do Mar. Vou velejando pra meu povo libertar”- Aborígine
Nessa Semana da Consciência Negra iremos publicar, para além das músicas e poesias, a história de personagens e rebeldes brasileiros e brasileiras, homens e mulheres negras que lutaram por liberdade e justiça. Iniciamos com Dragão do Mar, nordestino, homem do mar.
Em minha atuação como Educador Social em escolas ou unidades de internação do DF sempre provoco os educandos e educandas a refletirem para além do dado, para além de sua própria realidade. É fato que muitas vezes, sobretudo na internação, os jovens sequer conhecem outros estados, nunca foram a uma praia.
Por si só é um dado que merece análise e estudo, pois a rotina social, que aqui analiso como processo de exclusão nos priva de conhecer a diversidade, interioriza-las e fortalecer as relações, bem como criar outras perspectivas de futuro e realidade.
Pois foi numa viagem que tive acesso pela primeira vez a vida e luta de Dragão do Mar. Foi em Fortaleza/CE, após uma longa caminhada pra fotografar um navio/barco naufragado que cheguei ao Espaço Dragão do Mar, uma espécie de museu/teatro/cinema e pela primeira vez ouvi aquele nome. O que me entristece, para além de 2 décadas de vida escolar não ter conhecido é saber que, numa pesquisa on line, encontra-se mais informações sobre o Espaço Cultural que sobre sua vida/luta.
Chico da Matilde, apelido de Francisco José do Nascimento, nasceu em 1839, num dos estados percussores no movimento abolicionista no Brasil. E não é erro pensar que este fato distancia-se do estado com melhor avaliação educacional.
Letrado aos 20 anos de idade, órgão de pai, que morreu em meio aos trabalhos nas águas, criado por uma mãe que enfrentava todas as dificuldades e contexto da época, Chico da Matilde viu-se como homem do mar, jangadeiro, trabalhando desde criança. Foi marinheiro e trabalhou nas obras do Porto de Fortaleza.
No mar, viu todo o sofrimento gerado pelo tráfico negreiro e logo envolve-se com o Movimento Abolicionista. Uma de suas principais lutas, foi fechar o Porto de Fortaleza, impedindo o embarque de escravizados e escravizadas para outras regiões. Como o Ceará, foi o primeiro estado a abolir a escravatura em maio de 1883, o agora Dragão do Mar, conduzia sua jangada pra abordar embarcações que faziam o tráfico negreiro.
Chico da Matilde desafiava o racismo, o conservadorismo, defendia maior participação da mulher na sociedade cearense. Colaborou com greves, foi presente na luta, perdeu emprego e viveu o restante da vida como pescador.
Que nas trincheiras sejamos Dragão do Mar, mesmo em nossos postos de trabalho, onde somos explorados e exploradas, devemos nos unir e lutar por liberdade, mesmo em nosso lar, onde reproduzimos opressões, sejamos atentos a opressão do machismo e lutemos por liberdade!
Dragão do Mar, presente!
...
Assista ao documentário clicando AQUI
18 novembro 2018
O Rap em a Revolução dos Bichos
Peter Singer foi um filósofo que recorreu ao conceito de especismo para discorrer sobre a ideia de superioridade do ser humano em relação às demais espécies.
Assim como o machismo sobrepõe um gênero a outro e o racismo sobrepõe uma raça à outra, o especismo coloca uma espécie em patamar de superioridade às demais, como uma maneira de justificar algumas atrocidades que praticamos.
Seguindo essa ideia de superioridade humana, comparamos algumas minorias aos demais animais: nos referimos aos pret@s enquanto "macac@s"; nos referimos às mulheres enquanto "piranhas"; chamamos @s obes@s de "baleias" e os gays, nessa tentativa diminutiva, são os "veados".
Sabe quando você vai chutar um cachorro e ele crava os dentes na sua perna?! Então, essa música é isso!
Por JC Amaro, rapper e filósofo de Samambaia.
12 novembro 2018
Atemporal: o álbum do fim
Atemporal: o álbum do fim
Lançado no dia mundial do Hip Hop, 12 de novembro, o MC e poeta Aborígine justifica a escolha refletindo sobre o caráter revolucionário dessa cultura negra e urbana, oriunda do povo pobre: "O Hip Hop me molda e transforma diariamente, para além da essência artística e ritmo a minha poesia, eu devo ao Hip Hop minha vida".
O CD possui treze faixas que respondem o porque do álbum do fim. A capa e contracapa apresentam um ambiente apocalíptico, num contraste de quem apresenta-se à luta e um olhar esperançoso de uma criança. São poesias, versões acústicas e a acidez num discurso forte e contemporâneo. Esse último adjetivo reflete a atemporalidade da obra, uma vez que, diversas letras apresentadas possuem 10 ou mais anos de composição.
Num contra fluxo que revela evolução do rapper, as faixas problematizam e enfrentam a mercantilização da cultura, trazem conceitos, até então, pouco ou não discutidos no Rap como gentrificação, gordofobia e democratização dos meios de comunicação. Músicas conhecidas e cantadas como Teresas e Um canto a Margarida, que possuem respectivamente vídeo clipe e lyric vídeo completam o trabalho, assim como a releitura da música O azul de uma caneta, música de 2001, lançada em versão acústica disponibilizada exclusivamente no Lyric álbum no canal do artista.
O álbum do fim pode ser uma despedida do rapper, porém, suas linhas, em quem escutar trará um desconforto e uma vontade pra luta tão grandes, que será difícil não lembrar do Aborígine.
#assessoria
FICHA TÉCNICA
Gravado por DJ Raffa, Gibe, LP Studio e Wty.
Produção musical de Gibe, LP Studio e Thiago Raiz.
Participações de Josi Araújo, Leandro Solano, Marcos MC e Nexx.
Produção executiva: M.A.B.O Prod.
Produção audiovisual: Avoe Produções
Designer gráfico: Resistance Design
Concepção de arte: Martinelli / Página Rap Brasília
MÚSICAS
1. Jéssica
Poesia marginal que aborda as relações conflituosas entre uma adolescente e seu pai, inspirada em diversas histórias reais. Inicialmente foi composta para a música 'Cadê você?' do grupo Viela 17, mas com a gravação sonoplastia de Wty inicia o álbum do fim.
2. Números
Os versos são repletos de referências a números, reflete estatísticas, questiona a função social do encarceramento da juventude, a sociedade do consumo e a representação política no Brasil. Com dados atuais e questionamentos a ordem, sob produção musical de LP Brasil, Nexx e Thiago Raiz a faixa demonstra todo o peso deste álbum.
3. Destinatário
Uma carta. É assim que podemos descrever tal canção. Destinada a si e ao ouvinte, o rapper canta e semeia possibilidades e vida ao povo pobre da periferia. Daquelas canções pra ouvir nos momentos de dificuldade, daquelas músicas feitas pra elevar a esperança e auto estima.
4. Hip Hop em mim
Título homônimo ao livro do Rapper lançado em 2017, trata-se de um Gfunk em homenagem aos e as pioneiras do Hip Hop no DF. É um hino à cultura da capital do país. Versa acerca de experiência do artista, como no episódio que furtou um CD de bases do DJ Raffa numa loja Carrefour, bem como no episódio em que gravou um programa de Rap em cima de uma fita cassete de Axé Bahia da irmã. Uma daquelas músicas que já nasce como um clássico.
5. Azul e branco
História que versa sobre as primeiras sensações de uma adolescente ao sair de uma unidade de internação. Um história emocionante de redenção e superação. Composta durante oficina ministrada pelo artista na Unire - Unidade de Internação do Recanto das Emas, a música fora produzida por LP Estúdio e Frates Beat's e conta com participação de Leandro Solano.
6. O circo 2
A crueldade do ser humano o levou a encarcerar pessoas negras, diversas e doentes em circos e zoológicos humanos. Correlacionando essa história a fatos atuais como machismo, gordofobia e lgbtfobia o rapper nos provoca, fazendo olhar pra si e encarar os próprios preconceitos. A faixa trata-se de uma releitura da música lançada em 2012, premiada na terceira colocação do Prêmio Sesc Tom Jobim de Música. Antes de ouvi-la, recomendamos conhecer os documentários/entrevistas lançadas pelo artista. Mãe, Mulher e Negra / Pessoas Pequenas são audições necessárias e urgentes.
7. Verdes lucros
Direito a cidade, gentrificação e agronegócio são temas desta canção que convoca a união do campo e a cidade. Produzida por Gibesom e gravada por DJ Raffa é uma das músicas que apresenta a evolução do rapper na escrita, lírica e canto.
8. Duas crianças
Brasília possui o maior IDH do país, mas também é a região mais desigual.
Imagine refletir essa situação ao som da história de duas crianças. João, trabalha em semáforos vendendo balas e conhece Davi jogando video game dentro de um carro importado. Há semelhança? Talvez.
9. Punho Cerrado 1
Audio da cypher Punho Cerrado que contém participação de Mente Consciente, 3Janelas, Negro Thalles, Ideologia e Tal, Beto - Sobreviventes de Rua, Negra Eve - Mantendo a Identidade e Câmbio Negro. Um projeto único que agrega diferentes gerações do Hip Hop do Distrito Federal, que pretende romper as barreiras entre as mesmas, homenagear os percussores e circular as cidades. Assista ao clipe: https://bit.ly/2DI97Si
10. Teresas
Escrita em parceria com a poeta Rose Elaine, a música é uma história de superação da mulher periférica, que volta a estudar e trabalhar após sair de uma relação violenta. Produzida por Gibesom e com participação de Josi Araújo, em 2015 ganhou um CLIPE produzido por Donas Filmes e protagonizado pela atriz e poeta Meimei Bastos.
11. Um canto a Margarida
Com participação de Josi Araújo a música conta a história da agricultora paraibana Margarida Alves e sua luta em defesa dos direitos do povo camponês. Um Rap com sanfona e refrão marcante que ganhou um Lyric Vídeo tão emocionante quanto a música.
12. Lobotomia
Talvez a letra mais antiga do disco, conta com participação de Marcos Mc e questiona a padronização e mercantilização do Hip Hop. Possui sampler de Evaldo Braga, já utilizado na música 'As primeiras letras do alfabeto'. É como se o artista provocasse um novo letramento ou questionasse o analfabetismo político da uma nova geração.
13. Ponto final
Uma das faixas mais doloridas do disco. Nem todos e todas sejam capazes de ouvir coisas assim, ainda mais incluírem num álbum.
09 abril 2018
BraSyria
Eu também chorei pela criança da Syria
Morreu afogada igual a pequena Giovana de Brasília
São mártires da inocência
Sendo que quatro em cada dez, vivem em pobreza extrema
Refugiados internos, também são
Discriminados num sul que canta por separação
Que choram por suas balas perdidas
Perdidas por quem? Bandidos, polícia, indústria armamentista
Qual maior custo ao imposto brasileiro
Detentos, detentas ou apenas um banqueiro?
Nas olimpíadas, militar, segundo no pódio
No Brasil, Polícia Militar, três mil mortos
Primeiro no ranking
Bancada da bala derrama mais sangue que qualquer traficante
Criança Guarani-Kaiowá atropelada cinco vezes
Latifúndio continua o massacre dos portugueses
Quanto vale a política tucana?
Conta bancária de FHC registra lama
Não reclama do abuso e sexo forçado
Seguidor de Feliciano passou de ano no fascismo de Bolsonaro
Que inspira aquele que humilha haitiano
Babá cuida da filha enquanto segue protestando
Não me engano porra. Direitos humanos pra humanos direitos?
Que afirma isto assemelha dignidade a dinheiro
Mas caráter é outra fita, outra coisa
Duas horas de busão lotado com a marmita na bolsa
Diferente da madame e dos herdeiros
Que negam água e banheiro a seus pedreitos
Minha visão é de uma luta de classes
O extermínio que sangra tem início no trator que derrubas lares
Na especulação que derruba barracos em vários estados
Mas resistimos em marchas, ocupações, canções e palcos!
19 julho 2017
Lançamento: Um canto a Margarida
Foram pouco mais de 02 anos sem nenhum lançamento musical do MC e poeta Markão Aborígine, representante e militante do Hip Hop no Distrito Federal.
Com produção musical de Gibesom, a voz marcante da cantora Josi Araújo e audiovisual por Ak13, Aborígine apresenta a música Um canto a Margarida, que narra a história de vida e luta da lutadora paraibana Margarida Alves.
O lançamento marca o anúncio do novo álbum previsto para segunda quinzena de agosto.
FICHA TÉCNICA
Letra: Markão Aborígine
Participação: Josi Araújo
Produção musical, mix e máster: Gibesom
Lyric vídeo: Ak13
DOWNLOAD: https://goo.gl/9Nw6v5
16 julho 2017
Que os pobres cuspam!
Ao tempo que o Brasil chega a marca de 14 milhões de desempregadas e desempregados, fruto, segundo a mídia corporativa de uma crise econômica e política, julgo importante analisar as questões a partir de um olhar próximo a realidade social das e dos mais pobres.
Segundo o IBGE a renda per capita do povo brasileiro em 2015 foi de R$ 1.113, sendo que 23% da população, segundo o jornal Correio Brasiliense vive com menos de um salário mínimo. Por outro lado, a Calculadora da Desigualdade, projeto realizado pela Oxfam Brasil nos mostrou a face cruel da concentração de renda no país.
Estes mesmos 23% da população, se empregados, trabalham minimamente 30/40 horas semanais para recebimento de um salário mínimo, enquanto isso, aproximadamente 4 mil multimilionários lucram valor equivalente à um salário mínimo a cada 12 minutos. Não se ouve isto, não se fala disto, há uma normalidade na exploração.
Segundo Rosseau o Estado legitima a desigualdade social ao tempo que protege a propriedade privada, acredito que afirmou isto olhando para o Brasil. O privilégio da propriedade privada baseia-se na concentração de renda e terra, que só no último mês motivou o assassinato de 11 trabalhadores rurais no Pará.
Mais que a polarização ou 'crise' política, que sim, agrava sintomas da desigualdade social, devemos discutir pontos estruturais, como a tributação brasileira que é extremamente injusta, pois taxa sobretudo os mais pobres.
A lei 9.249 de 1995, criada durante governo FHC, retira a taxação de lucros e dividendos dos mais ricos. O imposto sobre propriedade de terra é a partir do que se declara e não do que realmente é, ou seja, a extensão territorial da terra ocupada. O Instituto de Estudos Socioeconômicos calcula que isto gera uma sonegação de quase 500 bilhões. Pra exemplificar a treta o orçamento anual da saúde é de 198 bilhões.
Realmente a matemática na prática é sádica!
O golpe burguês é mais que político, é maior que impeachment causado por algo que dois dias após derrubar Dilma deixou de ser crime. O golpe na quebrada é mortal. É aqui onde morrem sem atendimento médico, é aqui onde crianças voltam pra casa, pois não há professores, é aqui onde escrevo no momento em que há tiroteio na rua (minhas orações pra que o pior não aconteça). É aqui onde as pessoas são condenadas injustamente por sua cor, por seu CEP, muito antes de Lula, pena que parte da esquerda demorou a enxergar isto. #LiberdadeRafaelBraga
Nossa esperança não está em 2018, por mais importante que seja, não está. Devemos respira-la, devemos partilha-la cotidianamente. A transformação está nas ruas, mas não em esplanadas ou grandes avenidas. Se continuarmos pagando carros de som, fretando ônibus para capitais, balões enfeitando os céus e um calendário de protestos sem virar-se para as casas e as ruas destas casas não haverá avanço.
Então Rap é mais que palco, precisamos aprofundar o que tanto denunciamos, enfrentar as reformas trabalhistas e previdenciárias, afinal essa burguesia já congelou por 20 anos o orçamento que mau chegava as quebradas, imaginem então o que será de nós em duas décadas. Some isto ao trabalho intermitente, terceirização e aposentadoria inatingível que encontrará o desaparecimento de famílias.
Ora, são 4 mil multimilionários, se cada pobre cuspir eles morrem afogados!
13 julho 2017
A matemática na prática é sádica!
Nunca fui bom em matemática, mas estava pensando aqui.
- A sonegação das grandes empresas paira aos 500 bilhões de reais por ano. Só a Globo deve a Receita Federal cerca de 400 milhões;
- O presidente do Banco Itaú, ops... Banco Central e Governo Temer perdoaram a dívida (agora sim) do Itaú de 20 bilhões;
- Vira e mexe ouço e falamos do tal impostômetro, da tributação brasileira cabulosa e pá, certo? Sempre vem com uma frase que diz "trabalhamos aproximadamente 04 meses pra pagar impostos", mas nunca notamos que tal tributação é sobre o consumo e não sobre RENDA (mais ricos pagariam mais) e sobre PROPRIEDADE (mais ricos pagariam mais). Por que será?
- Daí a mesma Globo que deve 400 milhões, e o Governo Golpista que distribui emendas e perdoou 20 bilhões do Itaú vem dizer que a culpa da porra toda é da contribuição sindical?
Contribuição sindical = 1 dia de trabalho
Caraio acho que a culpa é dela mesmo e as empresas são coitadinhas, nossas gestantes precisam mesmo trabalhar na insalubridade, nós precisamos mesmo almoçar em 30 ou 15 minutos, se pá nem almoçar.
MATÉRIA SOBRE IMAGEM CLIQUE AQUI: https://goo.gl/ZTgiMo
- A sonegação das grandes empresas paira aos 500 bilhões de reais por ano. Só a Globo deve a Receita Federal cerca de 400 milhões;
- O presidente do Banco Itaú, ops... Banco Central e Governo Temer perdoaram a dívida (agora sim) do Itaú de 20 bilhões;
- Vira e mexe ouço e falamos do tal impostômetro, da tributação brasileira cabulosa e pá, certo? Sempre vem com uma frase que diz "trabalhamos aproximadamente 04 meses pra pagar impostos", mas nunca notamos que tal tributação é sobre o consumo e não sobre RENDA (mais ricos pagariam mais) e sobre PROPRIEDADE (mais ricos pagariam mais). Por que será?
- Daí a mesma Globo que deve 400 milhões, e o Governo Golpista que distribui emendas e perdoou 20 bilhões do Itaú vem dizer que a culpa da porra toda é da contribuição sindical?
Contribuição sindical = 1 dia de trabalho
Caraio acho que a culpa é dela mesmo e as empresas são coitadinhas, nossas gestantes precisam mesmo trabalhar na insalubridade, nós precisamos mesmo almoçar em 30 ou 15 minutos, se pá nem almoçar.
MATÉRIA SOBRE IMAGEM CLIQUE AQUI: https://goo.gl/ZTgiMo
11 março 2017
Correio Brasiliense entrevista Markão Aborígine
Como você avalia a saída do hip-hop da periferia. O interesse dos grandes centros? É uma apropriação ou uma forma de valorizar ainda mais a cultura?
Há dois caminhos. Existe, sim, uma apropriação. A gente vê cada vez menos espaços e casas de show nas periferias e uma concentração de recursos de qualidade nos grandes centros. Então, há um movimento de apropriação, só que há, também, o empoderamento dos agentes periféricos. Eles estão se tornando empreendedores, se formalizando e dominando a ferramenta da comunicação. São as músicas mais tocadas em uma era de YouTube. Porém, pela escassez de espaços nas periferias, uma falta de política pública e investimento em rádios comunitárias, esses artistas, dependendo da linha de música, vão sendo esquecidos e excluídos desses grandes centros e oportunidades. A gente precisa se organizar e fazer um combate a essa indústria, que está cada vez mais comercializando (e banalizando) o hip-hop. Se não, a gente vai ser apenas uma música, deixando a questão do ativismo e da militância para trás.
O discurso tem mudado?
Ele tem melhorado. Hoje, na música rap, é mais presente um discurso que questiona machismo, sexismo, misoginia e homofobia. Artistas que se reconhecem como transexuais, gays e lésbicas têm mais visibilidade e são aceitos. Há 20 anos, era um confronto complicado. Além da realidade cruel de violência policial, pobreza e miséria, a gente viu que, enquanto periféricos, reproduzimos outras formas de exclusões, de opressões e de violências, como fazem os poderosos.
Como você vê o futuro do hip-hop, aqui na capital?
Costuma-se falar que, no DF, a gente tem o segundo maior polo do gênero no Brasil. O primeiro seria São Paulo, mas acho que Brasília disputa este posto com o Rio de Janeiro. Estamos tentando quebrar esse eixo, que está em tudo. Se aliarmos essa prática do exercício artístico, em experiências como a escola de formação do hip-hop e esse “boom” de batalhas de MCs, a um ativismo politizado, acho que vamos colher grandes frutos. O que eu vejo para o futuro do hip-hop na capital é luta. A gente só vai conseguir garantir qualquer coisa por meio dela com a nossa organização, enquanto artista e cidadão. Acredito que conseguiremos alicerçar um trabalho que vai conseguir quebrar esse eixo e despertar olhares para outras regiões do país também. Acho que Brasília tem que ser um fio condutor dessa transformação, para que a juventude periférica e negra tenha um espaço na grande mídia.
Como você vê a cena atual do hip-hop?
No Distrito Federal, temos excelentes talentos sendo revelados. Temos o DJ A, que foi campeão mundial recentemente, além de excelentes artistas no grafite e dançarinos de danças urbanas, que estão representando o Brasil em diversos torneios mundiais. Agora, temos uma Secretaria de Cultura que está premiando o hip-hop com um edital específico. Mas ainda é pouco. Há 10 anos, tínhamos mais rádios, programas de tevê, revistas e fanzines, mas fomos perdendo esse espaço e esses mecanismos. Temos batalhas de MCs, inclusive só de mulheres, que é a Batalha das Gurias. Temos a ocupação cultural do movimento em Santa Maria, que tem serigrafia popular, cineclube e aulas de yoga ofertados por um coletivo. Exemplos como esses têm que ser reproduzidos em cada cidade, e a nossa cena vai ser fortalecida quando a gente se articular além das redes sociais. Para fortalecer essa cena e ela continuar sendo nossa, para não sermos engolidos ou pela repressão policial que vai à batalha do Museu, ou por essa industrialização que vai padronizar todos os talentos, a gente precisa se falar mais.
Quais são os seus projetos no momento?
Eu canto rap, tenho CDs e livros lançados. Estou lançando o Hip-hop em mim e circulando com ele. Mas, um projeto que eu acredito e semeio é a editora popular Poesia em Coletivo, que surgiu a partir da distribuição de fanzines e panfletos no metrô e paradas de ônibus. Nessa experiência, percebi que consigo, além de externalizar o meu fazer poético, garantir o acesso à fala ou à publicação a outras pessoas. Em 2014, eu lancei o livro Favela como ninguém viu!, de um jovem escritor da Estrutural chamado Fernando Borges. No ano seguinte, consegui publicar o Mulher quebrada, que é uma coletânea de textos de mulheres periféricas do DF. Fazemos os livros artesanalmente, aí as tiragens são reduzidas. De forma autônoma e voluntária, eu continuo ministrando oficinas em escolas públicas. Integro a Família Hip-Hop, um coletivo de Santa Maria, onde a gente desenvolve uma escola de formação, com estudos que vão do sistema político brasileiro a produção de eventos. Neste ano, vou produzir o festival Brasília Periferia, que é feito a cada dois anos. Ele vai acontecer nos dias 21 e 22 de junho, em Santa Maria, e vai ser tanto festival musical quanto encontro de grafite.
*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira.
MATÉRIA ORIGINAL: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/03/02/interna_diversao_arte,577427/rapper-de-samambaia-markao-aborigine-fala-sobre-novo-discurso-do-rap.shtml
Há dois caminhos. Existe, sim, uma apropriação. A gente vê cada vez menos espaços e casas de show nas periferias e uma concentração de recursos de qualidade nos grandes centros. Então, há um movimento de apropriação, só que há, também, o empoderamento dos agentes periféricos. Eles estão se tornando empreendedores, se formalizando e dominando a ferramenta da comunicação. São as músicas mais tocadas em uma era de YouTube. Porém, pela escassez de espaços nas periferias, uma falta de política pública e investimento em rádios comunitárias, esses artistas, dependendo da linha de música, vão sendo esquecidos e excluídos desses grandes centros e oportunidades. A gente precisa se organizar e fazer um combate a essa indústria, que está cada vez mais comercializando (e banalizando) o hip-hop. Se não, a gente vai ser apenas uma música, deixando a questão do ativismo e da militância para trás.
O discurso tem mudado?
Ele tem melhorado. Hoje, na música rap, é mais presente um discurso que questiona machismo, sexismo, misoginia e homofobia. Artistas que se reconhecem como transexuais, gays e lésbicas têm mais visibilidade e são aceitos. Há 20 anos, era um confronto complicado. Além da realidade cruel de violência policial, pobreza e miséria, a gente viu que, enquanto periféricos, reproduzimos outras formas de exclusões, de opressões e de violências, como fazem os poderosos.
Como você vê o futuro do hip-hop, aqui na capital?
Costuma-se falar que, no DF, a gente tem o segundo maior polo do gênero no Brasil. O primeiro seria São Paulo, mas acho que Brasília disputa este posto com o Rio de Janeiro. Estamos tentando quebrar esse eixo, que está em tudo. Se aliarmos essa prática do exercício artístico, em experiências como a escola de formação do hip-hop e esse “boom” de batalhas de MCs, a um ativismo politizado, acho que vamos colher grandes frutos. O que eu vejo para o futuro do hip-hop na capital é luta. A gente só vai conseguir garantir qualquer coisa por meio dela com a nossa organização, enquanto artista e cidadão. Acredito que conseguiremos alicerçar um trabalho que vai conseguir quebrar esse eixo e despertar olhares para outras regiões do país também. Acho que Brasília tem que ser um fio condutor dessa transformação, para que a juventude periférica e negra tenha um espaço na grande mídia.
Como você vê a cena atual do hip-hop?
No Distrito Federal, temos excelentes talentos sendo revelados. Temos o DJ A, que foi campeão mundial recentemente, além de excelentes artistas no grafite e dançarinos de danças urbanas, que estão representando o Brasil em diversos torneios mundiais. Agora, temos uma Secretaria de Cultura que está premiando o hip-hop com um edital específico. Mas ainda é pouco. Há 10 anos, tínhamos mais rádios, programas de tevê, revistas e fanzines, mas fomos perdendo esse espaço e esses mecanismos. Temos batalhas de MCs, inclusive só de mulheres, que é a Batalha das Gurias. Temos a ocupação cultural do movimento em Santa Maria, que tem serigrafia popular, cineclube e aulas de yoga ofertados por um coletivo. Exemplos como esses têm que ser reproduzidos em cada cidade, e a nossa cena vai ser fortalecida quando a gente se articular além das redes sociais. Para fortalecer essa cena e ela continuar sendo nossa, para não sermos engolidos ou pela repressão policial que vai à batalha do Museu, ou por essa industrialização que vai padronizar todos os talentos, a gente precisa se falar mais.
Quais são os seus projetos no momento?
Eu canto rap, tenho CDs e livros lançados. Estou lançando o Hip-hop em mim e circulando com ele. Mas, um projeto que eu acredito e semeio é a editora popular Poesia em Coletivo, que surgiu a partir da distribuição de fanzines e panfletos no metrô e paradas de ônibus. Nessa experiência, percebi que consigo, além de externalizar o meu fazer poético, garantir o acesso à fala ou à publicação a outras pessoas. Em 2014, eu lancei o livro Favela como ninguém viu!, de um jovem escritor da Estrutural chamado Fernando Borges. No ano seguinte, consegui publicar o Mulher quebrada, que é uma coletânea de textos de mulheres periféricas do DF. Fazemos os livros artesanalmente, aí as tiragens são reduzidas. De forma autônoma e voluntária, eu continuo ministrando oficinas em escolas públicas. Integro a Família Hip-Hop, um coletivo de Santa Maria, onde a gente desenvolve uma escola de formação, com estudos que vão do sistema político brasileiro a produção de eventos. Neste ano, vou produzir o festival Brasília Periferia, que é feito a cada dois anos. Ele vai acontecer nos dias 21 e 22 de junho, em Santa Maria, e vai ser tanto festival musical quanto encontro de grafite.
*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira.
MATÉRIA ORIGINAL: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/03/02/interna_diversao_arte,577427/rapper-de-samambaia-markao-aborigine-fala-sobre-novo-discurso-do-rap.shtml
30 janeiro 2017
Entrevista ao programa Quadrado a Fora
Fui entrevistado por Ju Matos e Maria Rita par ao programa Quadrado a Fora, em meio ao rolé no Parque Três Meninas e Espaço Imaginário, conversamos sobre música, poesia, sonhos e militância.
Segue o convite a continuarmos este debate, bora?
Quer conhecer mais o programa? Se inscreva na página do YouTube e clica aqui também https://www.facebook.com/QuadradoaforaQaF/?fref=ts
29 janeiro 2017
Se eu fosse você, não lia isto.
Conheci o Hip Hop em meados dos anos 90, ora vislumbrado enquanto meu irmão dançava freestyle com amigos, ora quando escutava aquela música grave e que falava de uma realidade tão próxima.
Minha família veio do interior paraibano em busca de condições dignas para criar seus filhos. Nasci no DF e tive os barracos da Ceilândia como estada até conquistarmos o direito à moradia na Samambaia em 1989, cidade que amo e resido até hoje.
Por não conseguir vagas em escolas próximas e pensando que a educação numa cidade já desenvolvida seria melhor para nós, meus pais me matricularam na Escola 28 e, foi em Taguatinga que vivi meus quase 16 ou mais anos de vida escolar. Além de enfrentarmos a poeira, a lama e o péssimo transporte público, era praxe sofrermos com o bullying e acusações, pois tudo de ruim que ocorria na escola era responsabilidade dos alunos de Samambaia. Sem entender, aquilo já mexia comigo.
Sendo criança ou adolescente, sempre me destacava nos trabalhos de redação e história, minha mente fluía. Acredito que era a herança deixada por um avô que em sua juventude foi cordelista, seja pela energia das músicas e Rap's que rolavam no PIRAÇÃO, um ônibus pirata tunado que percorria Samambaia Sul à Taguatinga. Foi lá que ouvi grandes ídolos que hoje são amigos, como GOG, Rivas e Jamaika, Guind'art, Liberdade Condicional, dentre outros.
Não demorou muito para uma professora me motivar a transformar os textos em poesia, me desafiou apresentando algumas métricas; Fui lá e fiz, mais uma nota dez. Eu parodiava músicas do Câmbio Negro, Sistema Negro, GOG e DeMenos Crime, até NAS (um cantor gringo) eu dublei num trabalho de inglês, vai vendo.
Naquela época existiam CD’s apenas com Bases de Rap. Vez ou outra deparava com grupos cantando nas mesmas bases e o mais louco era que tudo continuava mágico. Além disto, os grupos costumavam disponibilizar faixas instrumentais em seus CD's, minhas primeiras músicas foram escritas neste período.
Lembro-me de mixar em fita K7 uma faixa instrumental do DeMenos Crime, dava play no CD e gravava na K7, voltava com a caneta bic para encontrar o ponto certo e pronto, estendia a faixa mais alguns minutos pra enfim cantar. Nessa faixa em questão escrevi a música Favela Capital em 2001; anos mais tarde ela ressurge como Meio Século.
Mas foi em 1997/1998 que subi pela primeira vez num palco, ainda adolescente, enfrentando uma timidez gigantesca, fui cantar numa escola de ensino médio e meus pés tremiam. Lembro-me de ensaiar tanto na noite anterior que fiquei sonâmbulo, acordando meu irmão à noite. E foi ele, Cleres Dantas, o grande responsável por minha formação, me passava várias letras pra estudar, perguntava se havia entendido, me ajudava a escolher o figurino certo, "não, essa roupa da Bad Boy não combina com o Rap, vai com essa aqui!".
Sempre fui fascinado na escrita, seja nas redações escolares ou no pixo, que me ajudaram a superar minha timidez, me socializou, deu-me protagonismo, fez as pessoas olharem de forma diferente para aquele gordinho morador de Samambaia. Respeito, medo? Talvez sejam os dois, mas páginas tristes também compõem esta história, vi brigas, ameaça de morte, morte; Até que em 2001 conheci dois caras, Luiz Paulo e Raphael Macedo, com eles aprendi a cantar e por em prática tudo que meu irmão me ensinou quando trazia letras dos Racionais pra eu estudar.
Eu, Marquim MC, Nego Lupa e Vilão formamos no grupo Êxodo em 2001 e com uma letra que surgiu durante um sonho, vencemos o Festival de Música do CEM 03. A música chama-se O azul de uma caneta, inscrevemos a primeira versão no Abril Pro Rap, gravamos a primeira versão no Estúdio Cartel ao lado de Bruno, DJ Jamaika e Rei, meu nervosismo é perceptível nesta gravação.
Um ponto crucial na minha caminhada foi um encontro na Colônia Agrícola de Samambaia, o Raphael, aliás, o Vilão tinha um amigo que estava estudando o elemento DJ e também tinha um grupo de Rap chamado 'Sistema Oposto'. Num sábado qualquer haveria um encontro em sua casa como vários MC's e ali soltei um dos meus primeiros freestyles, participei de um dos primeiros 'Ensaio Coletivo' da história. O DJ era o Thiago, vulgo Corrupto, que anos mais tarde foi batizado por DJ LISO.
Ao lado do Liso e Carequinha do grupo Consequências da Vida fundei em 2003 o encontro semanal MC's de Classe, que reunia toda sexta feira na Praça do DI em Taguatinga dezenas de improvisadores e improvisadoras. De lá surgiram Thabata Lorena, AfroRagga, Doctor Zumba que já tinha uma carreira brilhante junto ao Artigo 2, dentre outros personagens como Six, Junin QNC, Perninha, Erko. Lembro que fazíamos vários show's de freestyle, sem batalha, apenas a Base e vários minutos de improviso. Aos poucos fui me afastando devido à escola, trabalho e relacionamentos.
Mas tudo mudou em 2004 quando fui presidente do Grêmio Estudantil de minha escola, ali eu praticava toda a teoria revolucionária que o Rap havia me dado. Enfrentávamos a direção, ocupamos uma sala, criamos rampas de acessibilidade para estudantes cadeirantes, íamos direto à Administração Regional pedir melhorias. Nesta mesma época reuni alguns grupos de Samambaia e fundei o Militância Hip Hop, uma espécie de coletivo ou amontoado de trabalhos. Fazíamos oficinas nas escolas, apresentações, fanzines, numa rádio comunitária apresentei por quase dois anos um programa de Rap, possuía certa malandragem e conhecimento, pois já tinha experiência com rádios, quando apresentei um programa de Rap no interior paraibano, na Rural FM de Baraúna.
Entre idas e vindas fazia pequenos shows, cantando uma ou duas músicas, mas estava sempre nas Marchas em defesa de direitos, Grito dos Excluídos, movimentos sociais. Com a experiência do Grêmio Estudantil logo estava atuando junto a ONG's. Com o Grupo Atitude viajei para Batatais - SP e ficamos por uma semana realizando formação de jovens.
Tudo isto moldou o HIP HOP EM MIM.
Casei e tive meu primeiro filho em 2007, dois anos mais tarde estava desempregado e mesmo assim lançava o álbum 'Dia e noite. Dia açoite. Noite fria'. Comprei um pequeno equipamento de som para fazer o lançamento do meu CD em escolas e na rua. Em 2008 fundei o Coletivo ArtSam que por 08 anos fez revolução nas quebradas, possibilitou acesso à cinema, à poesia, foi o primeiro palco de muitos grupos como Quadrilha Intelectual, Réus, Dona Rayla, Mantendo a Identidade, Singelo MC, dentre outrxs.
Fundei o Cineclube Câmbio Negro, Sarau Samambaia Poética, Ensaio Coletivo. Realizei o 1º Encontro de Literatura Marginal do DF. Criei uma Editora Popular em 2013, lancei os livros 'Sem rosto, família ou nome', 'Favela como ninguém viu' de Fernando Borges, um jovem morador da Estrutural e 'Mulher Quebrada' uma coletânea com várias poetizas e militantes do Distrito Federal. Realizei oficinas de literatura marginal, formei poetas. Idealizei e produzi o Prêmio Hip Hop Zumbi, Festival Brasília Periferia e Mutirão Hip Hop Solidário.
Entre documentários, músicas e videoclipes, centenas de escolas e projetos sociais visitados, shows e debates em vários estados brasileiros, me fiz semente. Vi uma menina que treinou Breaking pela primeira vez na garagem de minha casa tornar-se campeã mundial. Vi um grupo que cantou pela primeira vez na garagem de minha casa ser um dos mais respeitados grupos de Rap do DF. Salve B.Girl Prix, Salve Quadrilha Intelectual.
Há 12 anos tenho um companheiro de luta, um verdadeiro amigo e referencial. Conheci o Alex Suburbano em 2005 durante uma reunião que pretendia criar o Fórum Hip Hop DF, e ele já tinha uma atuação militante na Santa Maria com a Família Hip Hop, conhecíamos pessoas em comuns, ONG's em comum. Amadurecemos e crescemos juntos. Hoje integro o Espaço Moinho de Vento com ele, uma ocupação na cidade da Santa Maria, local onde há de yoga e aulas de dança gratuitas à serigrafia popular, lá realizamos a Escola de Formação do Hip Hop.
Nestes - quase - 19 anos de Hip Hop, de uma vida entregue ao Hip Hop e ao povo aprendi bastante, sorri bastante, suei bastante indo a pé para shows em outras cidades por não ter dinheiro, fiz apresentações em troca de pão de queijo. Da primeira letra escrita ao primeiro cachê foram 10 anos.
Realizei Batalhas de Breaking, fui apresentador de outras tantas. Com esta função fiquei conhecido pela comunidade Hip Hop do DF como um dos melhores apresentadores, por isto aproximei-me do DJ Raffa e tive um dos momentos mais intensos de minha vida que foi apresentar o Festival Hip Hop do Cerrado.
Com um CD de bases do Raffa escrevi minhas primeiras canções e agora em 2017 participarei do consagrado e histórico álbum 'DJ Raffa - 30 anos'. Já dividi palco com GOG, Jamaika e Viela 17. Chorei emocionado lendo o X - Câmbio Negro me citando numa entrevista e repetindo em vídeo ou Alemão do Sociedade Anônima me reconhecendo e dando um salve. Parei o carro tremendo quando ouvi minha música tocando pela primeira vez na Smurphies, até que em janeiro de 2017 paguei antecipadamente todas as parcelas da escola de meus dois filhos.
Vê? O Hip Hop em Mim é mais que um livro, é resgate, é fala, é pluralidade. Aprendi com o tempo, depois de falhar muito, há coletivizar o pouco que sei, o pouco que tenho. Quem escreve este livro não é apenas o Marcus Dantas, o Marquim MC ou Markão Aborígine, são mãos calejadas de diversos fazedores e fazedoras da Cultura Hip Hop no Brasil, que habitam, cantam, colorem e dançam no norte, nordeste, centro oeste, sul e sudeste.
É literatura gratuita, nossa e marginal!
Num esquenta, seguimos as regras da ABNT: Arte bairrista, nua e transgressora.
Com amor e rebeldia, o cantador que canta a dor, o natural da terra, Markão Aborígine.
Download MEGA: https://mega.nz/#F!h1BBACzT!crc1qG8N771e0-DWbcpz9A
Página Facebook: https://www.facebook.com/HIP-HOP-EM-MIM-1788504844743543/
Acesse: http://livrohiphop.blogspot.com.br/
10 dezembro 2016
Por Direitos Humanos na Quebrada
GRITO DAS PERIFERIAS
Direitos humanos e das mulheres na quebrada
Aê! É fácil falar hoje que os direitos humanos são para humanos direitos, mas geralmente esse pensamente vem ali, exclamado por um televisor policialesco, por um apresentador que é um “humano de direita”.
Engana-se quem acredita que “direitos humanos só defende bandido”. Ora, alguém já viu um defensor dos direitos humanos bradando em defesa de Eduardo Cunha, de Roriz? Eu nunca vi.
Mas eu sei que se meu filho tiver o direito humano à educação, ou o direito humano ao lazer violado, meu filho tem direito a ser defendido por um ConselhoTutelar.
_Então peraí, o Conselho Tutelar atua na defesa dos direitos humanos? Sim, de crianças e adolescentes. Vai vendo! Sabe essa luta que cê teve para receber o 13º salário? Os direitos trabalhistas também são direitos humanos e é essa parada que a gente tem que defender na quebrada.
Essa mídia que fala o contrário pra nóis é dos ricos, nos faz acreditar que o jovem merecia morrer porque era do crime, repete várias vezes que ele tinha passagem, daí a gente não o vê mais como um vizinho, como um amigo de infância, mas como um criminoso.
O pobre e preto, é ''dimenor'', o branco de classe média é adolescente, são tratamentos diferentes, tá ligado? Qual a cor das pessoas que foram torturadas na justiçaria brasileira impulsionadas por Raquel do SBT?
É por isto que gritamos!
Por direitos de jovens, negros e negras, mulheres e todo povo periférico e excluído.
Retirado do livro MULHER QUEBRADA, 2015.
Direitos humanos e das mulheres na quebrada
Aê! É fácil falar hoje que os direitos humanos são para humanos direitos, mas geralmente esse pensamente vem ali, exclamado por um televisor policialesco, por um apresentador que é um “humano de direita”.
Engana-se quem acredita que “direitos humanos só defende bandido”. Ora, alguém já viu um defensor dos direitos humanos bradando em defesa de Eduardo Cunha, de Roriz? Eu nunca vi.
Mas eu sei que se meu filho tiver o direito humano à educação, ou o direito humano ao lazer violado, meu filho tem direito a ser defendido por um ConselhoTutelar.
_Então peraí, o Conselho Tutelar atua na defesa dos direitos humanos? Sim, de crianças e adolescentes. Vai vendo! Sabe essa luta que cê teve para receber o 13º salário? Os direitos trabalhistas também são direitos humanos e é essa parada que a gente tem que defender na quebrada.
Essa mídia que fala o contrário pra nóis é dos ricos, nos faz acreditar que o jovem merecia morrer porque era do crime, repete várias vezes que ele tinha passagem, daí a gente não o vê mais como um vizinho, como um amigo de infância, mas como um criminoso.
O pobre e preto, é ''dimenor'', o branco de classe média é adolescente, são tratamentos diferentes, tá ligado? Qual a cor das pessoas que foram torturadas na justiçaria brasileira impulsionadas por Raquel do SBT?
É por isto que gritamos!
Por direitos de jovens, negros e negras, mulheres e todo povo periférico e excluído.
Retirado do livro MULHER QUEBRADA, 2015.
14 novembro 2016
Elemento 5: Hip Hop, basquete, consciência negra e Ceilândia
No próximo sábado, dia 19 de novembro ocorrerá em Ceilândia o Sarau Nacional Elemento 5. Organizado pela ONG Vila dos Sonhos e Secretaria de Cultura dos Distrito Federal, o evento reunirá artistas de diversos estados brasileiros, celebrando o aniversário do setor QNQ e o dia da Consciência Negra.
Do nordeste R.Fiitu, de Minas Gerais Doc.Naipe, de Pirenópolis MC Murcego e AFAL de Anapolis - GO são algumas das atrações que abrilhantarão a festa. Além disto os grupos Sobreviventes de Rua, Família PR15, Alínea 11, Patrícia Sander cantarão clássicos e animarão o público presente. O Elemento 5 inovou a realização de eventos no Distrito Federal ao abrir chamamento público para apresentações culturais, logo, será uma festa diversa e rica como a diversidade brasileira.
Traga sua família, seus filhos e filhas. Brinquedos, cortes de cabelo, ação social e poesia farão deste dia, um dia memorável e belo, assim como a comunidade da QNQ - Ceilândia.
SERVIÇO
O que: Sarau Nacional Elemento 5
Quando: Dia 19 de novembro a partir das 10hs
Local: QNQ 5, Estacionamento da Paróquia São José Operário
Informações e programação completa clique AQUI
ENTRADA FRANCA
Do nordeste R.Fiitu, de Minas Gerais Doc.Naipe, de Pirenópolis MC Murcego e AFAL de Anapolis - GO são algumas das atrações que abrilhantarão a festa. Além disto os grupos Sobreviventes de Rua, Família PR15, Alínea 11, Patrícia Sander cantarão clássicos e animarão o público presente. O Elemento 5 inovou a realização de eventos no Distrito Federal ao abrir chamamento público para apresentações culturais, logo, será uma festa diversa e rica como a diversidade brasileira.
Traga sua família, seus filhos e filhas. Brinquedos, cortes de cabelo, ação social e poesia farão deste dia, um dia memorável e belo, assim como a comunidade da QNQ - Ceilândia.
SERVIÇO
O que: Sarau Nacional Elemento 5
Quando: Dia 19 de novembro a partir das 10hs
Local: QNQ 5, Estacionamento da Paróquia São José Operário
Informações e programação completa clique AQUI
ENTRADA FRANCA
05 novembro 2016
Hip Hop em mim! Nova obra organizada por Markão Aborígine
No próximo domingo, dia 13 de novembro será lançado gratuitamente o livro 'Hip Hop em Mim', uma coletanea com diversos autores e autoras brasileiras como Sara Donato de São Paulo, Prettu Joe de Goiania, Euri Mania de Pernambuco, PreThaís de Barreiras-BA, dentre outros que apresentarão os impactos do Hip Hop em suas vidas e comunidades.
Além disto o poeta e militante Markão Aborígine, sem seu artigo, apresenta um olhar histórico acerca das origens de cada elemento do Hip Hop. Qual era o contexto economico das Jamaica durante a prática do toasting que ao chegar nos E.U.A torna-se nossa música, o Rap. Que ambiente político encontrou?
São questões abordadas nesta coletanea. A organização é de Markão Aborígine e publicação da Editora Popular Poesia em Coletivo, pois 'se a história é nossa, deixa que nóis escreve'
15 junho 2016
O JALECO E CADEIRA
O burguês faz o filho estudar Direito
Pra manter os direitos e não dividi-los
Superávit, mais valia, cargo vitalício
Os patrícios
Estudam 10 anos medicina
Pra não cruzar com um pobre no corredor: montam clínica
Descrição?
Réplica de Van Gogh na parede, luminária moderna, jaleco elegante
Se não tem convênio médico
morre ali mesmo a gestante
Que carrega consigo duas vidas
Em uma noite percorreu mais de dez hospitais em Brasília
Deparou-se com a super lotação
Pessoas no chão, sem maca.
Enquanto o médico que passou em concurso público
Atendia na rede privada
Pelo número da conta
Não importa quantas pessoas estão em coma
Clara, pagou pelas 150 paginas da monografia
Comprou o diploma
Isto num Brasil que faz de conta
Que é de todos
Espanca 25 mil crianças por mês
Isto quando não pratica aborto (socio-oficial)
09 agosto 2015
Aborígine cede entrevista ao FestNegra
O Festival da Cultura Negra - FestNegra 2015 é um projeto da Imaginário Produções que circulará doze cidades do Distrito Federal e região, fomentando debate sobre racismo e intolerâncias / resistência, além de shows e espetáculos.
Dentro disto vários documentários veem sendo lançados, contendo entrevistas com militantes e fazedores de cultura. Nesta episódio convidamos para assistir a entrevista do educador social e música Markão Aborígine.
Acompanhe o projeto: http://www.festnegra.com.br/
Assessoria
contatoaborígine@gmail.com
Dentro disto vários documentários veem sendo lançados, contendo entrevistas com militantes e fazedores de cultura. Nesta episódio convidamos para assistir a entrevista do educador social e música Markão Aborígine.
Acompanhe o projeto: http://www.festnegra.com.br/
Assessoria
contatoaborígine@gmail.com
04 junho 2015
#Fatura
Não!
Não ficaria tão feliz com um milhão de acessos
Ficaria quando no país tivessem um milhão a menos de analfabetos
Quando fossem entregues às crianças
um milhão de livros e mais um milhão de cadernos
Quando nossas periferias formassem
um milhão a mais de professoras
um mihão a mais de médicos
Um milhão de flores
Um milhão de amores
Um milhão de abraços
Quem quer ser um milionário?
Você?
Mas saiba que não será só com um milhão
Amizades
sorrisos
e luta,
não se parcelam com cartão!
Não ficaria tão feliz com um milhão de acessos
Ficaria quando no país tivessem um milhão a menos de analfabetos
Quando fossem entregues às crianças
um milhão de livros e mais um milhão de cadernos
Quando nossas periferias formassem
um milhão a mais de professoras
um mihão a mais de médicos
Um milhão de flores
Um milhão de amores
Um milhão de abraços
Quem quer ser um milionário?
Você?
Mas saiba que não será só com um milhão
Amizades
sorrisos
e luta,
não se parcelam com cartão!
Assinar:
Postagens (Atom)





















