19 dezembro 2014

Presidenta (e)


Algo me chamou bastante atenção no último período eleitoral.

Já ouvimos brados sobre ditadura gay... inúmeros. Mas também ouvi muitas declarações de voto ao candidato do PSDB citando o medo da Ditadura de Gênero do PT.

Por diversas vezes me concentrei nos vídeos para entender o que seria isto, mas não fui capaz, porém não nego a Ditadura de Gênero, ela é presente, violenta, intolerante e por incrível que pareça, está aí na sala de sua casa - leia-se cozinha - e não apenas num gabinete.

Antes de prosseguir confesso que adoro o termo presidenta. Ele é rebelde, visibiliza a mulher que sempre esteve presa num parênteses (a). Diz aí, quantas mulheres vimos nos livros de História? Quantos cabeçalhos assinamos com uma PROFESSORA em primeiro plano, sem a prisão do parênteses?

Eu? Quero mais Presidentas, Mais Médicas. Eu? Quero menos criminalização das belezas e dos prazeres, quero mais mulheres concluindo seus estudos, desafiando companheiros que as proíbem. Não quero mais que a cada 25 segundos uma mulher seja agredida, inclusive por 'presidenciável'.

A Ditadura de Gênero está no Feminicídio. A Ditadura de Gênero está na disparidade salarial. A Ditadura de Gênero está em cada piada machista, que colabora e legitima com todos exemplos citados no texto.

Quero também, meu povo com discernimento e partícipe da política e do poder, que deixe de apenas delega-lo. Quero também, meus irmãos e irmãs com olhar crítico e atento a história de opressões, que deixem, muitas vezes de ver a realidade através de lentes burguesas.

Aos 23 de outubro de 2014

10 junho 2014

O Canto dos Mártires em Samambaia



E esta utopia nos move e nos convida a cantar. E com este sentimento partilhamos a vocês quão bela e emocionante foi a primeira etapa do circuito O Canto dos Mártires, ocorrida aos 31 de maio em Samambaia-DF.

Neste vídeo, vocês escutaram trechos de 'O Canto da Liberdade' primeira faixa do disco.

No próximo dia 21 de junho Valparaíso será a próxima cidade a receber o evento que agrega-se ao Duele de MC's 'A Praça é nossa'.

COLEIRAS


E nós domesticamos animais
Logo esses animais ocuparam nossos lares.
Mas nossos lares foram ficando menores
Menores
Menores

Logo não haviam ruas, praças, árvores
Apenas prédios
E os animais domesticados
Tornaram-se animais domesticados sem teto

Os devolvemos as ruas
Agora não enfrentavam apenas pulgas
Mas mau tratos
Carne com veneno e vidro quebrado
Chuva, frio, morte.

E nós ficamos carentes, como pode?
Mas como somos inteligentes, logo criamos o Tamagoshi

E estávamos ali
Demos banho, comida, carinho
Aquecemos durante o frio
A mulher rica logo avisou: não quero mais filho!

Mas logo o Tamagoshi ficou ultrapassado
E fizemos com o animal virtual
O mesmo que fizemos ao animal domesticado

E mais uma vez ficamos carentes, como pode?
Mas como somos inteligentes, criamos o computador, iphone, ipode

É bem melhor! O celular não sente o mau hálito
Ao acordar logo conferimos se tá carregado
Antes mesmo do bom dia
Antes mesmo do abraço

Ainda sonolentos
Mesmos sem o velho e bom alongamento
Daqueles que num passado você se revirava na cama
O seu perfil social, aliás virtual
Lhe afasta de uma face humana

E um dia domesticamos animais
E um dia criamos tecnologias
E hoje em dia
Esta mesma tecnologia, nos domestica

É o beijo no filho trocado pelo computador
É o silêncio infernal de uma viagem no metrô
São as faces em tom azul
Os dedos que deslizam um a um
Num ambiente de isolação e desamor

E um dia tivemos relações sociais
Logo haviam visitas em nossos lares
Mas foram ficando menores
Menores
Menores

Logo não haviam frango frito no domingo
Pular fogueira na festa junina, ter madrinha e padrinho
Adedonha, paredão, pular elástico
Trocar o vale transporte por ficha
O garrafão ou o primeiro beijo sabor salada mista

Mas quem liga?
Melhor compartilhar com o mouse
Do que compartilhar a vida.

#MarkãoAborígine