01 agosto 2013

ABORÍGINE ainda canta!


1º de agosto

Surge o mês que permeou dias e noites de planejamentos. O olhar fixo a cada data, buscando a cada momento ocupar uma agenda, ocupar espaço, trabalhar.

E aqui partilho com vocês a alegria de anunciar, quatro anos depois, o lançamento do meu novo CD 'O Canto dos mártires'.

Esse álbum é um convite a cada uma e cada um que diariamente lutam por nosso povo, lutam por nossa música. O Capital todos os dias trabalha para silenciar e para omitir nossa música, e quando cito nossa, refiro-me sim a um Rap comprometido, mas não com este mesmo Capital e suas ferramentas: individualismo, consumismo e dominação ideológica.

Eles dizem que esse Hip Hop morreu, aliás.. "militar o que?' Mas se isto realmente aconteceu eis aqui um mártir, nós somos!

Só eu sei quão difícil é conquistar isto. Caminhos que trilhei, de noites longe da família, de lágrimas, do abatimento causado pela inveja e o sentimento de desistência que a cada dia batia mais forte, são elementos que trazem a verdade neste trabalho.

O cansaço e a desistência foram fortes, mas eu venci. E a vitória além de cantada, também será ESCRITA!

Ontem, dia 31 de julho, fiz a última reunião com a Editora, e meu primeiro livro 'Sem rosto, família ou nome' também nasce este mês.

Nasce, pois está em gestação desde 2005 quando lancei meu primeiro fanzine, cresceu e foi alimentado quando criei o Sarau Samambaia Poética, e quando distribui poesias em paradas de ônibus e no metrô no projeto Poesia em Coletivo as contrações foram fortes.

Antes de finalizar, a memória de meu avô vem à mente. Pedro Dantas em sua mocidade era repentista e cordelista. Com ele, lá no interior da Paraíba tive o primeiro contato com a poesia, ouvindo seus poemas e causos.

Em 2009 o homenageei com a capa do CD e lançando este livro sinto a presença de meu avô. Uma presença que não está em foto, pois quantas vezes ficava envergonhado em abraçar um idoso. Hoje, não mais uma criança/adolescente com falsas rebeldias eu sinto tamanha saudade e vontade de voltar e registrar aquele sorriso honesto e os belos olhos verdes num rosto cansado de trabalhar no campo.

Que vontade de sentar a sala e responder todas as perguntas possíveis. Meu avó era analfabeto, mas aprendeu a ler sozinho, decorando cada frase, cada palavras dos livros que lia.

Perguntas como "você sabe quantos km tem o rio Amazonas?" eram constantes. E ele tinha a resposta disto e tudo na ponta da língua.

Minha poesia nasce ai, no interior paraibano, a partir da sabedoria do povo nordestino. 'Sem rosto, família ou nome' é esta memória de luta, é meu primeiro livro!

Nasce na luta e pra luta. Não será produzido por empresários ou empresárias do ramo, mas por moradores e moradoras da cidade Estrutural. A capa não será brilhante ou luxuosa, mas reciclará a vida em papelões jogados no lixo e esta beleza supera quaisquer estereótipos.

A você que acredita em minha poesia, que canta em um evento, que toca na rádio, que curte uma postagem ou chama para conversa e diz: "seu som é da hora", a minha profunda gratidão, vocês são cúmplices desta felicidade, vocês são responsáveis por este trabalho!

Nós vencemos.

Um bom dia
Markão Aborígine

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