09 abril 2018

BraSyria


Eu também chorei pela criança da Syria
Morreu afogada igual a pequena Giovana de Brasília
São mártires da inocência
Sendo que quatro em cada dez, vivem em pobreza extrema

Refugiados internos, também são
Discriminados num sul que canta por separação
Que choram por suas balas perdidas
Perdidas por quem? Bandidos, polícia, indústria armamentista

Qual maior custo ao imposto brasileiro
Detentos, detentas ou apenas um banqueiro?
Nas olimpíadas, militar, segundo no pódio
No Brasil, Polícia Militar, três mil mortos

Primeiro no ranking
Bancada da bala derrama mais sangue que qualquer traficante
Criança Guarani-Kaiowá atropelada cinco vezes
Latifúndio continua o massacre dos portugueses

Quanto vale a política tucana?
Conta bancária de FHC registra lama
Não reclama do abuso e sexo forçado
Seguidor de Feliciano passou de ano no fascismo de Bolsonaro

Que inspira aquele que humilha haitiano
Babá cuida da filha enquanto segue protestando
Não me engano porra. Direitos humanos pra humanos direitos?
Que afirma isto assemelha dignidade a dinheiro

Mas caráter é outra fita, outra coisa
Duas horas de busão lotado com a marmita na bolsa
Diferente da madame e dos herdeiros
Que negam água e banheiro a seus pedreitos

Minha visão é de uma luta de classes
O extermínio que sangra tem início no trator que derrubas lares
Na especulação que derruba barracos em vários estados
Mas resistimos em marchas, ocupações, canções e palcos!

19 julho 2017

Lançamento: Um canto a Margarida



Foram pouco mais de 02 anos sem nenhum lançamento musical do MC e poeta Markão Aborígine, representante e militante do Hip Hop no Distrito Federal.

Com produção musical de Gibesom, a voz marcante da cantora Josi Araújo e audiovisual por Ak13, Aborígine apresenta a música Um canto a Margarida, que narra a história de vida e luta da lutadora paraibana Margarida Alves.

O lançamento marca o anúncio do novo álbum previsto para segunda quinzena de agosto.



FICHA TÉCNICA


Letra: Markão Aborígine
Participação: Josi Araújo
Produção musical, mix e máster: Gibesom
Lyric vídeo: Ak13

DOWNLOAD: https://goo.gl/9Nw6v5

16 julho 2017

Que os pobres cuspam!


Ao tempo que o Brasil chega a marca de 14 milhões de desempregadas e desempregados, fruto, segundo a mídia corporativa de uma crise econômica e política, julgo importante analisar as questões a partir de um olhar próximo a realidade social das e dos mais pobres.

Segundo o IBGE a renda per capita do povo brasileiro em 2015 foi de R$ 1.113, sendo que 23% da população, segundo o jornal Correio Brasiliense vive com menos de um salário mínimo. Por outro lado, a Calculadora da Desigualdade, projeto realizado pela Oxfam Brasil nos mostrou a face cruel da concentração de renda no país.

Estes mesmos 23% da população, se empregados, trabalham minimamente 30/40 horas semanais para recebimento de um salário mínimo, enquanto isso, aproximadamente 4 mil multimilionários lucram valor equivalente à um salário mínimo a cada 12 minutos. Não se ouve isto, não se fala disto, há uma normalidade na exploração.

Segundo Rosseau o Estado legitima a desigualdade social ao tempo que protege a propriedade privada, acredito que afirmou isto olhando para o Brasil. O privilégio da propriedade privada baseia-se na concentração de renda e terra, que só no último mês motivou o assassinato de 11 trabalhadores rurais no Pará.

Mais que a polarização ou 'crise' política, que sim, agrava sintomas da desigualdade social, devemos discutir pontos estruturais, como a tributação brasileira que é extremamente injusta, pois taxa sobretudo os mais pobres.

A lei 9.249 de 1995, criada durante governo FHC, retira a taxação de lucros e dividendos dos mais ricos. O imposto sobre propriedade de terra é a partir do que se declara e não do que realmente é, ou seja, a extensão territorial da terra ocupada. O Instituto de Estudos Socioeconômicos calcula que isto gera uma sonegação de quase 500 bilhões. Pra exemplificar a treta o orçamento anual da saúde é de 198 bilhões.

Realmente a matemática na prática é sádica!

O golpe burguês é mais que político, é maior que impeachment causado por algo que dois dias após derrubar Dilma deixou de ser crime. O golpe na quebrada é mortal. É aqui onde morrem sem atendimento médico, é aqui onde crianças voltam pra casa, pois não há professores, é aqui onde escrevo no momento em que há tiroteio na rua (minhas orações pra que o pior não aconteça). É aqui onde as pessoas são condenadas injustamente por sua cor, por seu CEP, muito antes de Lula, pena que parte da esquerda demorou a enxergar isto. #LiberdadeRafaelBraga

Nossa esperança não está em 2018, por mais importante que seja, não está. Devemos respira-la, devemos partilha-la cotidianamente. A transformação está nas ruas, mas não em esplanadas ou grandes avenidas. Se continuarmos pagando carros de som, fretando ônibus para capitais, balões enfeitando os céus e um calendário de protestos sem virar-se para as casas e as ruas destas casas não haverá avanço.

Então Rap é mais que palco, precisamos aprofundar o que tanto denunciamos, enfrentar as reformas trabalhistas e previdenciárias, afinal essa burguesia já congelou por 20 anos o orçamento que mau chegava as quebradas, imaginem então o que será de nós em duas décadas. Some isto ao trabalho intermitente, terceirização e aposentadoria inatingível que encontrará o desaparecimento de famílias.

Ora, são 4 mil multimilionários, se cada pobre cuspir eles morrem afogados!