22 dezembro 2012

Do lixão... nasce a dor!



As pipas dividem espaço com urubus
Na pista não há rolimãs, mas carretas.
O dia se passa em pouca luz
Se respira em um eclipse de poeira

Lonas, madeiras, pedaços de telha, pregos expostos.
O piso batido, fios, emendas, sustentam esforços.
Trabalho diário, raro descanso, sonho pretérito.
Pra que no futuro não haja trator ou tumulto,
a derrubar o lar, o teto.

Singela morada que externiza orgulho
Apenas uns palmos num canto do mundo
Apenas a mata que fica nos fundos
Da câmara, senado, ou debaixo de viadutos.

Sobras de obras viram carroças que por horas trafegam
Levam pra casa o que sua casa nega
O resto, o podre, o que se perdeu
que a promoção não vendeu
Fora de moda agora são velhas

A compra do voto em camisa impressa
Comumente usada de sul a norte
Trazem a certeza de falsas promessas
Pois vestem elas e não uniformes

Pro aumento da renda a infância não dorme
Na noite procura, vasculha o lixo.
Aguarda descarga proveniente do shopping
Mas o cansaço é forte acaba dormindo

Em cima do monte de produto vencido
Faz deste mesmo lixo o seu cobertor
Ao amanhecer família chora
Criança foi morta, esmagada por um trator.

Por Markão Aborígine

[Trechos de http://youtu.be/MvvEIDSD5Vc]


17 dezembro 2012

Uma infância roubada, por Claudia Maciel


Uma infância roubada. Rumo às profundezas do vício em todas as suas formas e da criminalidade. Rumo a deformações corporais, traumas emocionais e baixa escolaridade. Quem acredita em sobrevivência? Quem oferece reabilitação? E (re)integração?

Mais de cinco milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos são utilizados como mão-de-obra no Brasil, exercendo tarefas que vão desde o serviço doméstico até reciclagem de lixo nas ruas.

As crianças atualmente são vistas como consumidores em potencial o que acelera também o processo de adultização.

Infelizmente a instituição família está em crise. Com isso, crianças e adolescentes procuram outros meios de aprendizado. O tráfico de drogas, a prostituição infanto-juvenil, ou seja, a criminalidade em geral está de portas abertas para “ensinar”.

Mas ainda assim, existem. Existem alternativas. Qual a alternativa que você sugere?

Conheça o trabalho do rapper Markão Aborígine, a música Andares, e reflita mais sobre este tema. Após, poste em suas redes a alternativa que você sugere e compartilhe este vídeo para que mais pessoas reflitam sobre. Esta causa é nossa!

Por Claudia Maciel
Jornalista [Cufa DF]
Produção Programa Ação Periferia
Rádio Nacional AM, 980 KHZ.




#Andares [Lançamento: Dia 17 de dezembroa s 17hs]

Andares, por Luana Euzébia


Andares é uma música que aborda temas como violação de direitos, exploração do trabalho infantil, exploração sexual, vulnerabilidade social, abandono do Estado, descumprimento do ECA.

Nossas crianças são violentadas cotidianamente, seja por adultos que as exploram seja pelo Estado que as abandona, tirando-lhes as possibilidades mais genuínas de serem o que são: crianças!

Andares denuncia o caos que assola nossa sociedade, denuncia a crueldade com que o sistema capitalista exclui e escraviza nossas crianças e jovens, marginalizando-os e impondo-lhes a miséria e violência como únicas possibilidades de vida, de sobrevida.

Não podemos ficar calados! Temos de denunciar.

O rap assume essa responsabilidade e traz a denuncia e nós afirmamos que a transformação social e a transformação da vida de cada uma de nossas crianças que estão nas ruas, que usam crack, que vasculham lixo para comer, que vendem seus mirrados corpos por uns trocados, que são enclausuradas em Unidades de Internação e em seu própria mísera realidade, essa transformação é dever do Estado, mas é, acima de tudo, responsabilidade de cada cidadão em suas mais simples atitudes diárias.

Por Luana Euzébia
Pedagoga da UIPP [Antigo Caje]
Estudante de Gestão de Políticas Públicas na UnB


#Andares [Lançamento: 17 de dezembro as 17hs]

19 novembro 2012

Vote Marcão nº 499 [Conselheiro Tutelar]


Marcus Dantas ou Marcão, é Educador Social de formação e profissão, atua como Conselheiro Tutelar da cidade Estrutural há 03 anos, iniciou sua militância em 2004, quando foi presidente do Grêmio estudantil do CEM 03 em Taguatinga e nestes 08 anos colaborou com inúmeras lutas, sendo atuante em diversas entidades sociais.

Sendo um dos Conselheiros Tutelares mais jovens em atuação, Marcão já atuou como Educador Social no Centro Marista Circuito Jovem e Educador Popular na Rede de Educação Cidadã. Junto a ONG Vida e Juventude atuou como arte educador de cultura urbana, realizando formação em Grafite e Hip Hop, utilizando esta linguagem em combate a pichação e uso de drogas.

Em 2010 foi premiado pelo Ministério da Cultura, onde recebeu o Prêmio Preto Ghoez, em reconhecimento ao trabalho feito desde 2005 em escolas públicas e entidades sociais, ao qual ministra palestras e oficinas de formação em combate a drogadição e criminalização da juventude.

Pai de 02 filhos e esposo, Marcão é sinônimo de compromisso e dedicação com a transformação social que permeia o seio familiar.

Em Samambaia coordena a ONG Coletivo ArtSam, entidade reconhecida nacionalmente pela atuação junto a Literatura Popular Periférica, onde realizam o Sarau Samambaia Poética, diagramação de livros de escritores, oficinas de formação social e cultural, Prêmio Hip Hop Zumbi, além de outras ações.

No dia 16 de dezembro vote em quem atue verdadeiramente em sua comunidade, que traga em sua história de vida a dedicação e o trabalho junto infância, adolescência e juventude, sendo este um trabalho legítimo e contundente, sem aparelho ou vínculo partidário.


PROPOSTAS

01 - Realizar trabalho preventivo junto as escolas da cidade, orientando crianças e adolescentes sobre seus direitos e deveres, sobretudo prevenir a inserção deste junto à drogadição, ofertando palestras e oficinas de formação.

02 - Promover mensalmente o Conselho Itinerante, ou seja, realizar atendimento nos pontos mais distantes da comunidade, possibilitando assim atingir as situações de maior vulnerabilidade socioeconômica. Sabemos que a imensa geografia de nossa cidade impossibilita que as pessoas busquem os serviços do Conselho, logo promover sua itinerância fomentará mobilização e participação popular.

03 - Fortalecer a participação do Conselho Tutelar junto a Rede Social de Samambaia.

04 - Combater a criminalização da juventude e da pobreza.

05 - Participar pro-ativamente do Orçamento da Criança e Adolescente, realizando articulação entre secretarias e Administração Regional de Samambaia com fins a maiores investimentos em políticas sociais na cidade.

06 - Atuar ativamente junto as entidades sociais e culturais da cidade, sendo estas responsáveis por acompanhamento e pela maioria dos atendimentos prestados a infância e adolescência.






Dia 16 de dezembro vote em Marcão nº 499.

28 outubro 2012

O Chafariz [Lançamento]


25 de outubro de 1989. Nasce Samambaia, periferia do Distrito Federal. Os primeiros banhos foram tomados com água do chafariz. Os primeiros leitores foram alfabetizados no Parque Três Meninas.

O Chafariz é símbolo de vida e superação. Famílias oriundas de invasões ou fugindo do monstro do aluguel encontram em Samambaia um novo, ou primeiro motivo para sorrir.

Baseado na força e beleza deste povo, em nossa história de luta e superação, lançaremos em seu aniversário uma nova canção, não em comemoração, mas em homenagem e fortalecimento desta mesma luta.

Se um dia aprendemos a ler no Parque Três Meninas, hoje o vemos entregue a abandono. Se um dia nos divertimos nos campinhos de terra, hoje arranhas céus, filhos da especulação imobiliária nos tiram o divertimento.
Se um dia a diversão fora subir em árvores contorcidas do cerrado, hoje o Parque Gatumé não vem sendo preservado.

Somos mais de 250 mil vizinhos e vizinhas, ainda cruzando Bocas da Mata e Primavera (vias de ligação) para ter acesso a cinema, a teatro. Talvez isto seja resposta, para a cidade com mais adolescentes em conflito com lei.

Assim como a linda criança da foto, enfrentamos e sobrevivemos à poeira, à lama, mas hoje somos alvejados por uma política excludente, que presta serviço a burguesia.

Esta canção é dedicada a cada um e cada uma que sofreram e ainda sofrem com um péssimo transporte público, com os preconceitos enfrentados ao estudar em escolas de outras cidades, com o péssimo hospital, com sua história sendo extinta, mas que ainda sorriem...

A cada um e cada uma que como presente, recebe a transferência do Lixão para a cidade. Logo num local com nascentes e rio que deságua na Bacia do Paranoá. Talvez o lixo, de um jeito ou d'outro voltará a nós.

O Chafariz.
Dedicada a este povo: Vencedor!

Saiba mais: http://ochafariz.blogspot.com.br/

27 outubro 2012

Cine Câmbio Negro este sábado!


Neste sábado, dia 27 de outubro ocorre mais uma edição do CineClube Câmbio Negro com apresentação dos vídeos Três Meninas e Meio Século. Vídeos que narram e debatem sobre Samambaia, ambos gravados no Parque Três Meninas.

A cidade completou esta semana 23 anos e o evento vem a dialogar e sobretudo a refletir sobre as lutas da comunidade.

Ocorre ainda uma integração junto ao Sarau Samambaia Poética onde haverá poesia com Dr.Paulo,Luiz Vieira [este que será homenageado] pioneiro da cidade, música com Bya Costa, Paralelo Rock e Aborígine, lançando a música O Chafariz.

Compareça!

O que? CineClube Câmbio Negro
Onde? Praça da Qr 406, em frente ao Rei do Pastel - Samambaia Norte
Hora? A partir das 20hs
Entrada? Traga 1kg de alimento e sorrisos

Organização: Coletivo ArtSam & Poesia em Coletivo
Informações: 9602 6711

25 outubro 2012

Prêmio da Música Candanga


Está aberta a votação para o Prêmio da Música Candanga. O mesmo tem como objetivo valorizar, reconhecer e incentivar o desenvolvimento da música e da cultura de nossa cidade, bem como homenagear aqueles que já fazem parte da história cultural da Capital Federal com a presença e a participação da Imprensa, críticos e a população na eleição dos que mais se destacaram durante o ano de 2012.

O projeto Aborígine concorre na categia Rap-Hip Hop. Tal projeto já fora também premiado pelo Ministério da Cultura dada relevância e legitimidade do mesmo. Mais que música Aborígine é militancia social, utiliza-se a música Rap como instrumento pedagógico em escolas públicas, ministrando oficinas sobre drogadição e criminalização da juventude, diversidade e preconceito, dentre outros.

Com uma década de existência, 02 CD's lançados, sendo um destes um recital poético, Aborígine ocupa local de destaque na cena urbana candanga. Votar neste projeto é reconhecer um trabalho feito com compromisso e enraizado na luta pela transformação.

Para votar clique AQUI

Assessoria de imprensa

Retratos da Invasão


Ao contrário do que se imagina, não são pobres criminalizados e excluídos ocupando espaços públicos exigindo direito a moradia e sim, obras grandiosas, filhas da especulação imobiliária que brotam no meio de praças públicas, áreas verde e campos de futebol.

Basta percorrer Samambaia por alguns minutos e nota-se o pseudo desenvolvimento da cidade, através de inúmeros andares. A cidade recebe a dita Classe Média Alta ofertando proximidade ao metrô, a apenas 20min do Plano Piloto.

Não mais! Hoje enfrentamos engarrafamento em nosso trânsito, o esgoto não suporta a quantidade de degetos - sim, isto é um trocadilho, os novos moradores não preocupam-se com a vida social da cidade, apenas dormem aqui. Não utilizam o Mercado do Camilo, ou compram o queijo na Feira da 202.

Ao meu ver são parasitas. Invadem um terreno, furtam o lazer de crianças, interrompem até o trafego de aviões. E tudo de forma lícita - sim, isto é ironia. Como entender que áreas destinadas a praças, parques, preservação hoje tem como atração prédios, apartamentos?

Resposta: Propina, política corrupta, compra de alvarás.

Aos 23 anos lutar por Samambaia, esta jovem senhora, é fundamental. Para que meus filhos, Carlos e Marcus Jr. num futuro próximo tenham no mínimo um parquinho de metal, pois subir nas árvores do cerrado... Disto não tenho esperança.



lan


Trechos da canção:

"Quem de ti usou, hoje lhe dá as costas
Em Brasília tem investimentos, mas na COPA
Temos parques de preservação, nascentes
Poluídos através de uma politica incompetente

Que vende alvará, de onde brotam imensos prédios
O povo não possui, mas Engenheiros têm privilégios
Ao invés de colégios, campos de futebol
Arranha céus não permitem ver o nascer do sol"

24 outubro 2012

Lançamento de O Chafariz


25 de outubro de 1989. Nasce Samambaia, periferia do Distrito Federal. Os primeiros banhos foram tomados com água do chafariz. Os primeiros leitores foram alfabetizados no Parque Três Meninas.

O Chafariz é símbolo de vida e superação. Famílias oriundas de invasões ou fugindo do monstro do aluguel encontram em Samambaia um novo, ou primeiro motivo para sorrir.

Baseado na força e beleza deste povo, em nossa história de luta e superação, lançaremos em seu aniversário uma nova canção, não em comemoração, mas em homenagem e fortalecimento desta mesma luta.

Se um dia aprendemos a ler no Parque Três Meninas, hoje o vemos entregue a abandono. Se um dia nos divertimos nos campinhos de terra, hoje arranhas céus, filhos da especulação imobiliária nos tiram o divertimento.
Se um dia a diversão fora subir em árvores contorcidas do cerrado, hoje o Parque Gatumé não vem sendo preservado.

Somos mais de 250 mil vizinhos e vizinhas, ainda cruzando Bocas da Mata e Primavera (vias de ligação) para ter acesso a cinema, a teatro. Talvez isto seja resposta, para a cidade com mais adolescentes em conflito com lei.

Assim como a linda criança da foto, enfrentamos e sobrevivemos à poeira, à lama, mas hoje somos alvejados por uma política excludente, que presta serviço a burguesia.

Esta canção é dedicada a cada um e cada uma que sofreram e ainda sofrem com um péssimo transporte público, com os preconceitos enfrentados ao estudar em escolas de outras cidades, com o péssimo hospital, com sua história sendo extinta, mas que ainda sorriem...

A cada um e cada uma que como presente, recebe a transferência do Lixão para a cidade. Logo num local com nascentes e rio que deságua na Bacia do Paranoá. Talvez o lixo, de um jeito ou d'outro voltará a nós.

O Chafariz.
Dedicada a este povo: Vencedor!


Música: O Chafariz
Letra:
Markão Aborígine
Produção: Diego 157
Gravado por: WTy no MD Estúdio

Lançamento oficial: 25 de outubro as 17hs!

19 outubro 2012

Tá mudando pra melhor! Conselheiros Tutelares são detidos


NOTA PÚBLICA DE NOTA DE REPÚDIO

ASSOCIAÇÃO DOS CONSELHEIROS EX-CONSELHEIROS TUTELARES DO DISTRITO FEDRAL – (ACT-DF), na condição de entidade representativa dos Conselheiros Tutelares do DF e comprometida sempre com a luta, o desenvolvimento e o fortalecimento da categoria bem como dos 33 Conselhos Tutelares distribuídos nas Regiões Administrativas no âmbito da jurisdição do Distrito Federal, torna pública a seguinte nota de repúdio:

Revistados do sentimento de indignação é o que nos move ao escrever esta nota de repúdio contra “Operação remoção de famílias carentes da Região Administrativa da Estrutural ”, realizada no dia 17 de outubro do corrente amo, pela Polícia Militar em parceria com a Secretaria de Estado de Ordem e Política Social - SEOPS/DF e outros órgãos do Governo do Distrito Federal, ação esta em que foram agradidos e presos pela Policia Militar do DF os Conselheiros Tutelares Djalma e Alessandro, tendo estes sido algemados e conduzidos vergonhosamente em uma viatura no cúbico destinado os bandidos.

Os dois conselheiros são atuantes na Defesa do Direito da Criança e do Adolescente e estavam impedindo a retirada de famílias carentes da Estrutural, pois não existiam ordens judiciais para a retirada, as famílias já moravam há muito tempo no local e não tinham para onde ir e nem lhe foram ofertadas local para irem com os infantes (crianças e adolescentes), os núcleos familiares tinham crianças e adolescentes e por isso a intervenção dos conselheiros tutelares, com base nos artigos 4º, 5º, 15, 18 e 70, que acabaram sendo desrespeitados, agredidos e presos arbitrariamente e pela truculência da policia militar do DF.

A Constituição Federal, intitulada de Constituição Cidadã, objetiva a democratização das relações na sociedade brasileira, baseada nos princípios da dignidade humana e do respeito aos direitos fundamentais de todas as pessoas. Justamente estes princípios estão sendo desrespeitados quando se empenham esforços na realização de uma “Operação” de tal monta.

O Distrito Federal e o Brasil vêm, ao longo dos anos, repetidamente vivenciando situações como estas. O que se ganhou com isso? Nada! Recurso público desperdiçado, mau aplicado e não houve mudança no cenário, às pessoas continuam em situação de vulnerabilidade e para esconder ou melhorar a imagem de “incompetente” dos poderes constituídos, pensa-se em ações de repressão à tão sobrepujada e desesperançada população. O que presenciamos são casos de limpeza étnica, faxina social, racismo ambiental, evidentes no fato tratar os desfavorecidos como bandidos ou qualquer outra adjetivação.

A simples remoção de crianças, adolescentes, mulheres, adultos e idosos em situação de rua ou de moradas, assentamentos e lotes irregulares por meio da discriminatória” Operação remoção de famílias carentes”, certamente não resolverá os graves problemas sociais em foco, cuja solução somente virá com a implantação de políticas públicas eficientes, ainda longe de serem contempladas nas regiões administrativas do Distrito Federal.

A precariedade e a ineficiência das políticas públicas de atendimento a crianças, adolescentes, mulheres, adultos e idosos em situação de rua e a falta de políticas habitacional acessiva aos mais carentes, vem sendo constatada há tempos, situação que se agravo ainda mais pela falta de gestões públicas planejadas e ações organizadas.

O número insuficiente de profissionais capacitados para atendimento e a falta de uma política pedagógica, a ausência de locais apropriados para acolhimento dessa população a exemplo, fato amplamente divulgado diariamente pela mídia, bem como a desestruturação dos Conselhos Tutelares são alguns dos fatores que retratam a ineficiência das políticas públicas na área do de atendimento a crianças, adolescentes, mulheres, adultos e idosos em situação de rua e em loteamentos irregulares, o que leva a mobilizar outros setores da sociedade (segurança pública, empresários etc.) na busca de soluções que reduzam a presença desta população nas ruas, através de ações não tipicamente vinculadas às suas atividades.

Recomendamos à Secretaria de Segurança Pública, bem como a Polícia Militar do DF, que pensem a Política de Segurança Pública do Distrito Federal não de forma isolada, mas como a própria Constituição diz, de forma articulada com vários segmentos do Estado. É papel da Assistência Social e não da Segurança Pública cuidar da população em situação de vulnerabilidade. A população de rua ou aqueles que estão em loteamento, assentamento ou lotes irregulares vive em situação de vulnerabilidade e tem seus direitos mais básicos violados e não deve ser a polícia mais um ente violador.

A Segurança Pública do Estado do Distrito Federal, deve se preocupar em seguir a Constituição Federal, garantir efetivamente a segurança do cidadão, fundamentada nos direitos humanos essenciais da pessoa humana, onde a liberdade é um princípio e não a exceção, deixar de criminalizar as diferenças sociais, políticas, econômicas e culturais.

De outro lado, faz-se urgente, por parte da Secretária de Estado de Assistência Social, Secretaria de Estado de Habitação e do Trabalho do GDF a implementação de uma política distrital eficaz no atendimento a crianças, adolescentes, mulheres, adultos e idosos em situação de rua ou aqueles que ainda não tem sua moradia própria.


Brasília, DF, 17 de outubro de 2012.
ACT DF

11 outubro 2012

#Melhor Forma

O que acontece? Vivo, respiro Rap, Rap a gente canta
Primeira música – Uai... Já ta doendo a garganta?
Por favor, o microfone ta baixo, aumenta o retorno
To rouco! Desço do palco e logo escuto: Markão você ta muito gordo

Sua camisa ta puro suor, parece que tomou “banhe”
Não, não, vou lhe falar o melhor, uma fã jogou champagne
Nossa que louco você conhecia a mina
Nada, estava indignada, pois havia pedido era pinga

Já previa, na rotina artística surpreendente
O talento não importa, na hora escuto, oh o MC Fat Family
Eis o MC Amedrontado num palco de madeirite
Joga a mão pra cima e diga How Willy

Verdadeira saga encontrar uma roupa GG
Minúscula, mas digo a vendedora, acho que vai caber
Entro no provador, do pescoço seque passou
Mas não me entrego! Moça não vou levar, não gostei da cor

Em meio a insistência, compro e saiu sorrindo
Levo a costureira e digo, e cada lado aumenta 10 cm.
E o povo pergunta: Modelo novo? Que luxo
Lógico, excesso de gostosura, estilo único

Caminho com a camiseta, sob uma social aberta
Não por moda, mas é que o botão não fecha
Corpo de atleta, disputa acirrada dependente do menu
Levantamento de talheres, competidor número um

E ae Markão, vamos jogar futebol parceiro
Atacante? Você escolhe goleiro ou zagueiro
Torneio na escola... Vários gritando
Mau entrava no jogo e já ouvia: Juiz tem duas bolas em campo[

Em meio a ironia quantas vezes eu choro
Olho minha família, minha vida, cá estou obeso mórbido
Excluído num canto, o olhar, o julgamento, a roleta do ônibus
Fora do padrão, da sociedade plácida, sem neurônio

Pra sociedade falta-me apenas vontade pra redução do peso
O que dói não é a doença da obesidade, mas o preconceito
Covarde, com bulling, que machuca por dentro
Prefiro meu peso, meu jeito, ao ser anencéfalo sem sentimento

Quais investimentos em políticas de segurança alimentar
Da 1ª a 8ª série só fritura, gordura, açúcar e o controle remoto pra trocar
De canal durante a propaganda da guloseima divertida
Brinde, embalagem colorida, tazomania, 1ª infância – milicalorias

Pra onde ir agora?
Senhores, senhoras
Grato pela atenção!
Markão: Em sua melhor forma.

Markão Aborígine

06 outubro 2012

Cine Câmbio Negro exibe Ditadura da Especulação


Neste sábado, dia 13 de outubro será exibido o filme Ditadura da Especulação no CineClube Câmbio Negro.

O evento contará ainda com participação de poetas e grupos de Rap: Aborígine, Arsenal do Gueto, Al Unser, Quadrilha Intelectual, Glauber MC dentre outros. A entrada é franca, mas pede-se a doação de 1kg de alimento não perecível e ou brinquedos.

O que? CineClube Câmbio Negro
Onde? Espaço H2O, Quadra 101 - Recanto das Emas
Hora? A partir das 20hs

Assista ao documentário:



O curta metragem, que não recebeu qualquer tipo de patrocínio, mostra as tentativas de impedir que as máquinas derrubassem a vegetação local para construção dos edifícios, cujo metro quadrado, o mais caro da capital, pode chegar a R$ 25 mil.

Além disso o documentário também mostra diversos confrontos entre índios, manifestantes, polícia militar e seguranças da administradora Terracap, que além de ser a estatal que administra as terras públicas do Distrito Federal, curiosamente também é uma das patrocinadoras do festival de Brasília do cinema brasileiro, onde o curta ganhou o prêmio de Júri popular. O filme retrata exatamente este movimento de resistência ao avanço das construções desse novo bairro em Brasília, que tenta retirar do local um antigo santuário indígena e uma comunidade indígena que habita a área.

A causa relatada no curta comoveu a platéia que ao fim da exibição, pela primeira vez desde o início da mostra competitiva do Festival de Brasília 2012, aplaudiu um filme em pé.

A Ditadura da Especulação é dirigida por Zé Furtado que "é um voluntário do Centro de Mídia Independente, uma locutora de radio livre, uma trabalhadora que paga 4 ônibus lotados por dia na Samambaia, um cineasta sem cinema onde passar seu filme, é uma sem terra em Planaltina, um desempregado na Estrutural, Catraqueiro no Paranoá, Honestino na UnB, uma Feminista nas ruas da cidade.

Zé Furtada é o zapatista sub-comandante Marcos, suas representações e maiorias sociais. Maiorias, sim! Minoria é o 1% dono dos meios de produção e do poder institucional. Somos mais!".

Na verdade o filme é de um coletivo de cineastas responsáveis pela obra, e tem o objetivo de ser uma ferramenta politica que se desdobra em ações práticas."

Realização:

Coletivo ArtSam e Nakaradura Produções

03 outubro 2012

DF te vê?



A respeito da Educação no DF e Entorno, o jornalista e comentarista Alexandre Garcia afirmou, no DFTV: "enquanto houver um muro de escola pinchado há um erro no processo educativo, porque as pessoas preferem o vandalismo ao aprendizado.”, disse.

Eu afirmo: Enquanto houver muros e a compreensão de que Escolas são instituições não pertencentes as Comunidades o resultado vai ser sempre o inesperado. O que temos é o armazenamento de Jovens em espaços alugados desestruturados, sem fiscalização dos Órgãos competentes, ou seja, tudo empurrado pela barriga.

O sarcástico disso tudo muito mais pela seriedade que se demonstra é que, quando faltam Escolas para estes jovens os meios de comunicação convencionais não incluem em suas pautas diárias noticiários sobre: a educação pública, a qualidade de ensino, o estudante e o dia a dia nas escolas, pelo contrário, não tão nem aí.

Mas no caso das brigas, violências, rixas de gangues, tráfico de drogas é uma satisfação imensa dos veículos de comunicação pautar, criminalizar, culpabilizar e transformar ess@ jovem que sempre foi vitima, em um Animal, desumano e criminoso com muito sangue nos olhos, e que no jogo de lobos ainda é um bezerro.

Falamos da escola como um espaço educativo de caráter coletivo, inclusivo e que influi na formação pessoal e coletiva de tod@s @s envolvid@s: administradores, professores, funcionários e, principalmente, estudantes e Comunidade.

Mas será que isso é observado no cotidiano das Instituições? Sejamos sinceros, claro que não. Ai vem os positivistas e dizem, "mas tem esses projetos educacionais que a comunidade participa!!!”, resumo de (caô!!!).

O que sabemos disso tudo é que o buraco é mais embaixo. Problemas estruturais envolvidos, investimento, corrupção, falta de uma formação pedagógica que não seja de faz de conta que tenha a compreensão de asas e não de gaiolas.

Portanto a busca é por um projeto de Ensino sem cárcere, participativo e dinâmico. Que compreenda seu público como Cidad(ãs,ãos). Caso contrário toda ação tem uma reação!

Se falta é porque sobra em outro lugar.

Educação não dar pra ficar de faz de conta, é sério - são vidas e com pessoas não podemos brincar de construir o futuro, só se for por uma lógica de interesses de que: não se tenha futuro...

Por Eduardo Machado
Fórum de Juventude negra

28 setembro 2012

O Griô, MC Murcego


A outra face da história.

MC Murcego me apesento, pronto pra guerra,
Nasci no Bonfim vim das ruas de pedra,
Onde a historia esconde o sangue e o suor de quem ergueu a Igreja Matriz,
Que se esquece da gloria de quem não se rendeu a cicatriz,

Das lagrimas que correram da almas,
Dos calos que perfuraram as palmas,
Do açoite que feriu a carne e o orgulho,
Deixando no meio da esperança um grande furo,

E nas paginas dos livros escreveu falsos contos,
E escondeu a sete chaves debaixo dos escombros
Lebranças e memorias,
Da outra face da historia

Do passado deixou mentiras e maldade,
Mais eu sou cabeça preta, sou ira no combate,
Nas frases nas bases represento nas palavras,
De punhos fechados senti a força da pancada,

Minha arma é poesia,
meus versos tem semente,
Intolerância e poder
não alienam minha mente,

Em Pirenopólis eu vejo mortes, abuso de poder,
Mãe desesperada com vontade de morrer,
Em momentos de tristeza de dor de desespero,
Nesse mundo sem amor, vive em prisão, cativeiro,

Filhos inglorios genocidas,
Destruidores de família,
Pra preto e pobre, porta na cara,
Te joga na cela rouba sua vida e te mata
Agora um grito de basta, o rap entra na batalha,
Força que se alastra rima igual navalha,

Um pouco de coragem ao irmão desiludido,
Descendente de Zumbi não se esconde atrás do livro,
Na escola, na TV o preconceito, o desrespeito,
Ser obrigado a aprender suas mentiras seus conceitos,

O Brasil não foi descoberto, na verdade foi invadido,
Canalhas, escravizaram nosso povo, bando de bandido,
Se não acredita releia nossa historia,
Faça a soma da soma, o resultado é gloria,

Entre na escrita contra o capitalismo,
Do sonho ao pesadelo, pegue as minhas rimas e faça o seu livro.




MC Murcego:
Militante do Movimento Hip Hop na cidade Pirenopólis, interior goiano, navega entre o Rap, a poesia a militancia cultural. Utiliza sua música para fazer memória aos Griôs locais e as Guerreiras do Bonfim. Senhores e Senhoras que apresentam e narram a história da cidade, suas tradições e lutas.

Em minha primeira visita à cidade, numa madrugada, refletimos sobre a construção da beleza de Pirenopólis, tão aprecidada por turistas. Tal beleza é oriunda de trabalho escravo, são ruas de pedra e sangue.

MC Murcego tem seu trabalho reconhecido nacionalmente, em 2010 fora contemplado no Premio Preto Ghoez do Ministério da Cultura, dado seu comprometimento com a cultura e com o povo. Idealizador do Seminário e Festival Piri Rap realizado em 5º edições, integrante e educador do Ponto de Cultura Guaimbê, diagramador de livros, artista, pai e filho exemplar, MC Murcego é exemplo de vida e talento.


Por Markão Aborígine
Rapper e Conselheiro Tutelar do Distrito Federal

20 setembro 2012

Cadinho no Subúrbio? Vai manipular é o ca...!




A Rede Globo de Televisão nasceu quase junto com a ditadura civil-militar não por acaso. Ela veio com o propósito de difundir a propaganda ideológica do regime. Aquela ditadura, como a conhecemos se foi, mas a sociedade continua burguesa e, como com toda hegemonia, ela precisa dominar também pelas ideias.

E esse papel a Globo cumpre como ninguém.

Vários, mas muitos são os exemplos em q a sua dramaturgia se coloca a esse serviço.
A cidade do Rio de Janeiro, que sempre foi considerada a vitrine do país, mais do que nunca vem fazendo jus a esse “título”, visto que ela sediará o maior evento esportivo do planeta, as olimpíadas, além de jogos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. E é justamente por conta desses acontecimentos que a cidade está se remodelando. Está em curso a chamada faxina étnica, que expulsa do centro e outras áreas valorizadas, pret@s, retirantes e @s mais pobres no geral.

Além da forma clássica que conhecemos de remoções – na base da força – hoje está em voga a chamada “expulsão branca”. Esta consiste na “pacificação” de comunidades do Centro, Zona Sul e nas proximidades dos equipamentos esportivos onde acontecerão jogos dos mega eventos.

Essa tal pacificação traz a reboque uma espécie de reurbanização dessas comunidades – mas que visam atender muito mais os turistas e moradores do asfalto – e ainda, a regularização de alguns serviços que antes, na maioria das vezes, eram acessados de forma clandestina. Isso tudo torna muito cara a vida nessas favelas – transformadas em pontos turísticos – o que leva muitas famílias a se deslocarem para bairros distantes de seus locais de trabalho – até em outras cidades – com pouca, ou nenhuma, infraestrutura.

E no momento em que as famílias dessas comunidades, com apoio de militantes de partidos e movimentos populares, se organizam para resistir, acontece uma intrigante reviravolta na novela de maior audiência da Rede Globo, Avenida Brasil.

O personagem Cadinho (Alexandre Borges), empresário muito bem sucedido, se desdobrando pra ser um bom pai de três famílias, se descuida dos negócios e acaba falindo. Morador da rica e sofisticada Zona Sul carioca, ele se vê escorraçado pelas fúteis e consumistas esposas. Buscando a paz necessária para recomeçar a vida, ele busca abrigo, com amigos, no Divino, fictício bairro da periferia do Rio.

Ao mesmo tempo, Monalisa (Eloisa Perissê), pra satisfazer os caprichos do filho que fantasiava viver na Zona Sul, compra um mega apartamento no Leblon. Desanimada com a frieza, a soberba das pessoas e o alto preço da vida na Zona Sul, ela já pensa em voltar pro seu antigo bairro, que na novela, fica próximo à Madureira. Apesar de ambos serem empresári@s bem sucedid@s, ela é a típica suburbana que emergiu nos negócios, enquanto ele, o modelo do burguês de Zona Sul. Mas tanto ele quanto ela dedicaram boa parte de suas ultimas aparições pra falar das enormes vantagens da vida na periferia. São explícitas e constantes declarações de amor!

Pronto. O recado (subliminar) está dado. Apesar da abundância dos meios de transporte, do comércio (muitas lojas já ficam abertas 24h), de hospitais, escolas, das maiores oportunidades de emprego e lazer gratuito (é praia que não acaba mais), a vida no subúrbio é tão fascinante que é capaz de seduzir até membros da alta sociedade. Então, por que motivo moradoras e moradores do Santa Marta, Pavão-Pavãozinho, Chapéu Mangueira, Canta Galo, Tabajaras, Quilombo do Sacopã... não aceitariam recomeçar suas vidas longe da fria, cara e tumultuada Zona Sul do Rio?

Se a principal fonte de informação da maior parte do nosso povo é a televisão, temos que estar vigilantes e combativos ao conteúdo da informação que o nosso povo recebe e consome, principalmente as subliminares que são transmitidas através de “inocentes” obras de arte, como telenovelas.

E pra ilustrar com arte o nosso debate contra a arte deles, aqui vai uma sugestão. Abalando as Estruturas Globais (O Levante)

http://www.youtube.com/watch?v=Y-S5yBj4r-8

Gas-PA – Coletivo de Hip Hop LUTARMADA.

18 setembro 2012

Quadrilha Intelectual: Nova força no Rap candango


Sério Multiplicação da Revolução

01 – A primeira vez que ouvimos um grupo chamado #Q.I – Quadrilha Intelectual, ficamos minimamente curiosos. Logo questiono sobre a origem do nome, assim como do grupo, bem como a ideologia que o nome e grupo carrega.

Q.I: Por Incrível que pareça, o nome surgiu por acidente na garagem da casa do Kalango, é uma formação de quadrilha sim, pois ao invés de agir com armas de fogo ou atitudes criminosas tentamos agir com inteligência, o que vem a ser uma junção de fatores, pois inteligência não está restritamente relacionada a conhecimento acadêmico, como já escrevemos em poesia: Inteligência não esta relacionada a conhecimento acadêmico, é saber pra vida e mente aberta a todo momento, os fatores são: humildade, respeito, analisar pessoas e situações sem nenhum tipo de preconceito, mente aberta pra aceitação de qualquer tipo de critica, e acima de tudo tratar o próximo com amor, o que está faltando hoje em dia e no começo fizemos um trocadilho com o termo “quociente de Inteligência”.

O grupo originou-se primeiramente de uma grande amizade que nem sabemos quantos anos tem, ideologias não só parecidas, como 99% iguais de duas pessoas diferentes. E sobre o que o grupo e nome carrega é a missão de falar a verdade e mostrar que ainda hoje, INFELIZMENTE, problemas sócias antigos são atuais e abrir os olhos da periferia/favela/gueto que “futilidade” mudou de nome, muitos a chamam de “evolução”.


02 – Qual formação do grupo e quais principais influencias a nível de Brasil e principalmente, Distrito Federal?

Q.I: A formação do grupo hoje é Kalango e Henrique, mas a quadrilha não para por ai, posso falar com propriedade que outras pessoas também somam direta ou indiretamente como: Markão, Glauber MC, Dj Liso e Raro, do projeto Aborígine, Jeferson, Iago e Vicente, personalidades que admiramos pessoal e profissionalmente falando.
O grupo que fatalmente mais influenciou o Q. I foi o Facção Central, e outros como A 286, Realidade Cruel, GOG, A Família, Inquérito e temos escutado muito ultimamente Thiagão e os Kamikazes do gueto do Paraná. Do DF, nossas principais influências e admirações são: Aborígine, Radicalibres, Diga How, Glauber MC, Correndo Contra o Tempo, Arsenal do Gueto, Comando Periférico, Resgate, Dj Jamaika e queremos ressaltar a postura do grupo Voz Sem Medo que hoje no DF é um dos poucos que tem o diferencial de não só fazer o show em si, mais trocar uma idéia e passar algum tipo de informação construtiva no palco e também o Comunicação Racial e Ocorrência Criminal que assim como nós são do Recanto das Emas.


03 – O grupo lançou recentemente o primeiro trabalho intitulado Capital da ilusão. Letra com forte conteúdo social e político. Conte-nos sobre o processo de composição e produção.

Q.I: Os méritos de produção são todos do Duckjay (Tribo da Periferia). O processo de composição foi bem lento, mais bem natural, pois analisamos temas a serem abordados, colocamos em tópicos e depois transformamos em rimas, também consultamos pontos de vista de amigos do RAP e fora dele, como Markão e Artok. Usamos como matéria prima a realidade social das periferias de Brasília, e como é de conhecimento de todos os que tem os olhos abertos pra atual guerra não declarada entre as classes sociais, sabem que o histórico de miséria e opressão é cotidiano das periferias a nível nacional, só tendo como diferença o calibre do armamento e quantidades de drogas de uma favela pra outra.


04 – Quadrilha Intelectual já participou do Sarau Samambaia Poética e já lançaram poesias na internet. Qual proximidade e sobretudo quais avanços o grupo enxerga que a Literatura marginal vem provocando nas juventudes periféricas?


Q.I: A proximidade é mesma que a do RAP, só que de forma mais educativa, pois até uma letra de RAP quando recitada ao invés de cantada, trás uma reflexão maior sobre o tema abordado na cabeça do ouvinte, e o avanço é justamente essa reflexão, pois em um show, de uma forma ou de outra é um pouco mais disperso que o sarau, já que no sarau há a possibilidade de fazer um debate, troca de informação e questionamentos após cada tema ou declamação, isso trás um aprendizado enorme, falamos por experiência própria a primeira vez que fomos ao Sarau Samambaia Poética, fomos como ouvintes e depois com o apoio de amigos tivemos o privilégio de participar expondo algumas poesias. Entendeu a transformação? Vamos ser ousados em falar isso, mas o show é bom e necessário, mais os saraus tem um impacto educativo maior e formação muito mais eficaz do que o próprio show.


05 – Quais experiências em Literatura Marginal conhecem ou tem como referencias do Distrito Federal?


Q.I: Temos em atividade o Sarau Samambaia Poética, recentemente tivemos 1º Encontro de Literatura Marginal e a Bienal do Livro, e como referências temos o GOG, Markão Aborígine e todos os manos que colam nos saraus, não iremos lembrar o nome de todos, mais estão nas ruas escrevendo não só músicas, mas bons textos e expondo nos saraus pelas quebradas.


06 – O grupo é oriundo do Recanto das Emas, periferia de Brasília. Como é ser morador, jovem e MC nesta cidade¿ Quais ações existem em prol do fortalecimento da cultura Hip Hop, e ou espaços\políticas públicas para a juventude?

Q.I: Para nós é uma honra, pois moramos aqui desde o primeiro ou segundo ano de existência da cidade, sobre ser morador não é diferente das demais quebradas, pois o ensino é fraco, não temos o mínimo de assistência hospitalar, como por exemplo há alguns meses atrás morreu um senhor no corredor do posto de saúde que diz ser 24 horas, mas só funciona quando é pra fazer filmagem daquele propaganda ridícula do GDF falando a seguinte frase: “Ta mudando pra melhor”, e vale a pena lembrar que nosso atual governador era médico e foi omisso ao se tratar da saúde e agora devasta as periferias gastando rios de dinheiro com a copa do mundo como se antes de governador tivesse sido jogador de futebol, e sobre ser MC infelizmente somos vítimas de preconceitos, em relação ao rap por ser uma música marginalizada, e as pessoas que agem com preconceito são justamente aquelas que estão no seu coração na hora de escrever uma letra, sobre as ações em prol do HIP-HOP nós notamos um certo regresso, pois já tivemos show que para nós foram históricos na cidade e hoje não mais, tínhamos com freqüência batalha de MC e tínhamos um evento/espaço chamado “Poeirão do Rock” que dava uma enorme oportunidade e respeito aos manos do HIP-HOP.


07 – Daqui em diante, quais projetos o grupo tem em mente? O que a periferia de Brasília pode esperar do Quadrilha Intelectual¿ Artisticamente e a nível de militância, que é tão falada pelo grupo.

Q.I: Já finalizamos a produção de mais uma canção que se chama ‘Evolução’ e queremos ainda essa semana lançaremos a mesma. O Lançamento ocorrerá nesta próxima sexta feira no CineClube Câmbio Negro que será realizado no Recanto das Emas, além de disponibilização na Internet.

Queremos também finalizar outro trabalho junto com nossos amigos do Aborígine que terá o título de “Baile das Múmias”, que particularmente gostamos muito e apostamos muito no tema polêmico que esse novo trabalho vai causar, sobre militância além da arte, temos projetos como o de fazer um Sarau Recanto Poético, pois a atitude do coletivo ArtSam é muito inspiradora e acho que nossa cidade também precisa disso, e poder contar também com os manos da Samambaia e outras periferias para fortalecer e concretizar essa idéia e recentemente tivemos no encontro RECID-DF (Rede de Educação Cidadã do Distrito Federal) que para nós foi muito significativo, já que tivemos oportunidade de conhecer pessoas além do movimento HIP-HOP que também estão empenhadas em mudar a realidade atual e contar as verdadeiras histórias e não as que são contadas nos livros criados pelos opressores, logo, queremos participar mais, aprender mais, entender mais, lutar mais, fazendo jus ao o que lemos em um livro recentemente: “Onde houver opressão, sempre haverá um rebelde”, esperamos que esse “um rebelde” seja multiplicado pelo número de gotas de sangue que são derramadas nas periferias.


08 – Espaço aberto com agradecimentos, salve e contatos! Muito obrigado.


Q.I: Primeiramente queremos agradecer a Deus, já que ele permitiu que nós estivéssemos cedendo esta entrevista, as nossas famílias que nos dão o devido apoio.

Nosso muito obrigado eterno, pois temos como pagar o favor e esforço do Aborígine (Markão, Glauber, Dj Liso e Raro) por ter organizado essa entrevista e nos ter dado oportunidade de expor alguns pensamentos e pontos de vista, esperamos que sejam esclarecedores e compreendidos, e pelos conselhos também, ao Jeferson e Iago que desde o começo quando o Q. I era apenas uma idéia sempre incentivaram, a Sarah e Alice que sempre quando pensamos algo novo estão do nosso lado para compartilharmos, ao Artok que nos incentivou bastante, ao Rdy (Resgate) que foi através dele que conseguimos contato com o Duckjay para produzir nossa música, ao Vicente que nos deixou honrado em criar a foto da música e está nos ajudando no novo trabalho, ao Al Unser (Subversivo) que é outro mano morador/lutador/rapper do Recanto das Emas.

Contatos: 9314-3269 ou 8575-0600.
E-mail: quadrilhaintelectual@gmail.com
Download: http://soundcloud.com/kalangoqi/quadrilha-intelectual-capital

24 agosto 2012

Fechado para faxina


O Conselho Tutelar da Cidade Estrutural vem por meio deste informar à todas e todos que por inúmeras vezes solicitamos por meio de Memorandos e Ofícios junto a Secretaria da Criança – GDF, dedetização e profissional de limpeza para atuar neste Conselho.

Nunca tivemos este pleito atendido, apesar de identificarmos que tais questões podem ser resolvidas de maneira simples e rápida, sobretudo a questão da dedetização, pois nos deparamos com aranhas, mosquito transmissor de dengue e até mesmo escorpiões que colocam em risco a integridade física dos profissionais que atuam neste órgão e comunidade.

No exposto, informamos que todas as TERÇAS FEIRA a partir das 14hs00min este Conselho Tutelar estará FECHADO, para que nós, conselheiros, conselheiras e apoio administrativo possamos realizar FAXINA e higienização do espaço. Informamos que nestes 2 anos e 7 meses sempre estivemos em DESVIO DE FUNÇÂO seja na área de limpeza, seja atuando como motorista, para melhor atender a comunidade.

Solicitamos compreensão, bem como apoio de todos e todas neste situação. O Conselho Tutelar é um órgão que deve atuar de forma ininterrupta, não fechamos para almoço e atuamos até as 19hs00min. Qual outro órgão público age assim¿
Já apresentamos esta mesma Carta ao Ministério Público, onde também informamos que este Conselho Tutelar encontra-se com Lâmpadas e reatores de lâmpadas queimadas; Com Caixa de Gordura sem manutenção e ou sem saída para esgoto; Com banheiro público sem o devido encanamento: não há água para descarga e enxágue; Não há funcionário de limpeza neste órgão, sendo que ficamos impossibilitados de atender de pronto às famílias e usuários, pois efetuamos diariamente limpeza de mesas, cadeiras, banheiro e demais objetos/espaços.

Informamos ainda que não possuímos Linha Telefônica e nem Internet, apesar da instalação. Temos acesso a 02 Celulares Nextel que não suprem nossa demanda; Não há placa informativa/letreiro informando localização e serviço oferecido. Este Conselho dispõe apenas 02 computadores, sendo 01 utilizado por 05 conselheiros e 01 pelo serviço administrativo, composto por 04 servidores.

Os banheiros do Conselho não são adaptados para uso de idosos, cadeirantes e pessoas com deficiência física, bem como o acesso é dificultoso, pois não possui rampas de acesso, calçadas ou asfaltamento.

Enfim, reiteramos o pedido de compreensão da comunidade, pois dentro do que já fora exposto nesta Carta, infelizmente não vimos conseguindo atuar da forma devida. Salientamos que nós, enquanto Conselheiros e Conselheiras, apoio administrativo, não somos responsáveis pelo Fechamento do Conselho Tutelar para limpeza, ou mesmo pela péssima estrutura deste órgão.

Se não somos nós, você consegue responder?

17 agosto 2012

CineClube Câmbio Negro exibe 'Encontro com Milton Santos'


Ocorre esta sexta feira mais uma edição do CineClube Câmbio Negro, localizado em Samambaia. Esta edição trará a todos
e todas mostra do filme 'Encontro com Milton Santos', este grande geografo e intelectual brasileiro.

Sinopse:

“Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá”, é feito um recorte singular sobre a globalização, a sociedade de consumo, as divisões que esta sociedade se encontra, o território, os efeitos famigerados da globalização, as crises que esta promove, as barreiras físicas e simbólicas postas pelo capitalismo como efeito da globalização, o papel da mídia e as revanches organizadas por suas maiores vítimas.

A crise se estabelece e Milton Santos faz este alerta quando afirma que: “O consumo é o grande fundamentalismo”. E é sagaz quando apresenta as três vertentes da globalização no mundo; a globalização como é posta, a globalização da perversidade e o mundo por uma outra globalização.

No decorrer do documentário é apresentada uma série de acontecimentos no mundo inteiro que focam a atenção nas causas que esta sociedade capitalista centraliza, a fim de obter benefícios próprios em detrimento da desorganização do território, da apropriação de bens comuns e do uso privado de riquezas mundiais por parte de uma minoria. Apropriações indevidas que geraram tensões por tentar deter grandes bens nas mãos de pequenos grupos, enquanto se assolava o estado de miséria e a sociedade crônica para todo o resto.
Além da exibição ocorrerá debate com os grupos Quadrilha Intelectual e Réus, além de intervenção poética com Henrique QI.

Traga sua pipoca que o microondas estará a disposição!

SERVIÇO

O que: CineClube Câmbio Negro exibe 'Encontro com Milton Santos'
Onde: Qr 120, Conjunto 18, Casa 02 - Samambaia
Horario: A partir das 20hs
Informações: 9602 6711 (Falar com Markão Aborígine)

08 agosto 2012

Inauguração do CineClube Câmbio Negro


Será inaugurado nesta próxima sexta feira, dia 10 de agosto, o Cine Clube Câmbio Negro que todas as sextas feira fomentará debate e realizará mostra de filmes em documentário em Samambaia.

O nome vem a encontro de reconhecimento e fortalecimento de nossa memória. Câmbio Negro fora uma das primeiras bandas de Rap nacional e pioneiros da cultura Hip Hop no Distrito Federal. Assim como esta banda marcou o geração, o Cine Clube tem como proposta aproximar a comunidade de Samambaia ao cinema.

Quantas salas de cinema existem em nossas periferias? São raras, quase nulas. Logo o Cine Clube que realizar-se-a tanto em espaço fixo como itinerante visa mobilizar a comunidade perante este aspecto, de descentralizar a cultura.

Já em sua inauguração, haverá roda de conversa com o música X (Câmbio Negro) e Satão (DF Zulu) também pioneiro do Hip Hop no Distrito Federal, onde debaterão sobre machismo no Hip Hop, papel transformador da cultura, dentre outros temas, baseados no Mini Documentário que será exibido.

Os primeiros filmes já foram escolhidos: Hip Hop - X da questão e Encontro com Milton Santos. E ae vai perder? Haverá ainda poesia, livros a disposição de todos e todas e música com Rodriggo Misquita.

Local: Qr 120, Conjunto 18, Casa 02 - Samambaia Sul
Horário: A partir das 19hs30min
Informações: 9602 6711 e aboriginerap@gmail.com

Realização: Markão Aborígine e Coletivo ArtSam

20 julho 2012

Cumplicidade

Falaram-me de mentiras.
Eu de verdades.
Falaram-me de intrigas
Eu de amizade.

Falaram-me de tristezas
Eu de alegria
Falaram-me de solidão
Eu de sua companhia.

Falaram-me de lágrimas
Eu de sorrisos
Falaram-me de riquezas
Eu em espírito

Falaram-me do rancor
Eu do perdão
Viraram-me a face
Eu estendi a mão.

Falaram-me de pesadelos
Eu estou sonhando
Falaram-me “Eu odeio”
Respondi “Eu te amo.”

Sabe por quê?

Porque enquanto capitalizam a realidade
Eu socializo meus sonhos!

12 julho 2012

Esta sexta tem Sarau Samambaia Poética


Sexta feira 13! O que para o mercado é dia do terror à Samambaia é dia de poesia, música e Literatura Marginal.

Ocorre nesta sexta a partir das 20hs a 6ª Edição do Sarau Samambaia Poética, com organização do Coletivo ArtSam, Projeto Poesia em Coletivo e Aborígine.

Ocupa as ruas para levar ao povo informação e sorrisos. Esta edição conta com a pré estréia do filme 3MeninaS, gravado em Samambaia, além da participação do repentista Djalma Faustino, músicos Rodriggo Misquita, Quadrilha Intelectual, Dr. Paulo e Comando Periférico.

A poesia é representada por Flavio Moura, Guilherme Arsenal, M.M.U, Markão Aborígine e Luiz Vieira. Haverão ainda quadrilha comunitária e palco aberto às manifestações.

E ae? Vai ficar de bobeira ou em bobeiras esta sexta? Venha apreciar um evento de grande qualidade... E o melhor DE GRAÇA.

O que: Sarau Samambaia Poética
Onde: Qr 120, Conjunto 18, Casa 02
Hora: A partir das 20hs

Informações: 9602 6711 (Falar com Markão)

23 junho 2012

Ensaio COLETIVO



O Ensaio COLETIVO trata-se de uma ação do Coletivo ArtSam, ao qual pretende oportunizar acesso a instrumentos e equipamento de som para que grupos de Rap e música possam realizar ensaios.

Além disto os grupos e participantes interagem, debatendo e propondo ações.

Nesta edição do Blog DurapDF realizará debate sobre Literatura Marginal, além de apresentar a ferramenta, como divulgação aos trabalhos.

Esta é sua quinta edição e a partir desta mensal. Já foram realizadas oficinas de fotografia, FAC, Premio Preto Ghoez, dentre outras.

Nesta edição com Réus, Quadrilha Intelectual, DJ Qnnyo, Glauber MC, HcTres, Linha de Frente, MC Japa, Legitima Defesa,DJ Liso, M.M.U, poetas Paulo Diego e Markão Aborígine,além de debate com Blog DurapDF.

Onde: Qr 120, Conjunto 18
Hora: A partir das 14hs
Entrada: Franca, mas 1kg de alimento é bem vindo.

Trazer: Voz, talento e lanche para ser partilhado.
Organização: Coletivo ArtSam
Informações: 061 9602 6711

18 junho 2012

Aborígine anuncia lançamento de Single




Dia 27 de junho! Data escolhida para o lançamento do Single #Andares, do artista brasiliense Aborígine

Poesia musicada, trata do tema infância no Brasil, analisando o contexto social do país para expor situações de trabalho infantil, abandono e exploração sexual.

Com produção musical de Gibe e participação de Rodriggo Misquita, a canção apresenta um MC mais maduro e contundente. A mesma promete trazer o mesmo sentimento de Adolescencia em retratos, conhecida pela forte letra.

Andares, fora primeiramente composta como poesia e já compõe o livro do artista que vem sendo revisado, porém Markão Aborígine decidiu musica-la e lança-la, pois acredita que as informações pode colaborar com o decréscimo de situações de violência e exploração contra crianças e adolescentes.

Confira um trecho da canção:

...
Enquanto em carvoarias se queima a pele, não se aquece a alma
Do trabalhador, dia a dia, braço a braço
A brasa aquecida não alimenta sua família em um rodízio farto


Enquanto aguarda compartilhe!!!

14 junho 2012

O Crack por nós, Markão Aborígine



Entrevista cedida ao Blog DuRap-DF*

Sabe-se que existem usuários de crack de diferentes classes sociais. Mas é certo que a população miserável só pode comprar o crack, devido à vulnerabilidade social dessa classe? Crack, pobreza e população em situação de rua são situações que se misturam e contribuem para o uso da droga? A situação da família é tão agressiva que é um alívio para a criança e o adolescente estar fora de casa?


É interessante, primeiramente, analisarmos o contexto social que produz situação de rua e pobreza. A conjuntura brasileira de violação de direitos, que não oportuniza às famílias o cuidado à saúde mental e/ou acesso à educação e trabalho, alicerçada pela elite, é a principal causadora. Cito isto, pois, atuando com famílias nesta situação identificamos estes aspectos como principais condutores à situação de rua e drogadição.

Ao aprofundarmos o tema vimos que o berço do consumo de crack praticado por uma criança está numa mãe alcoólatra que não teve acompanhamento à sua saúde mental, ou seja, não lhe foi oportunizado o tratamento adequado, pois não há CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) suficientes no país, além do que, o contexto machista e sexista brasileiro fez desta, uma mãe solteira e expulsa de casa pelo pai, sem acesso à Pensão Alimentícia e creche para que possa trabalhar e sair para sustentar sua família.

Nossas crianças ficam sozinhas em casa, assim como as crianças ricas crescem sem a presença dos pais, porém, nossas mães cuidam dos filhos deles. Aqui as crianças não usufruem de atividades esportivas e educativas em contra turno escolar, como já citado, não há creches, não há acesso à cultura através de teatro e cinema, somente acesso à cultura individualista e consumista pregada pela televisão.

Tal situação de risco e vulnerabilidade social, assim como a situação de rua, viabilizam a aproximação e logo o consumo de álcool, tabaco e outras drogas. O consumo das drogas atinge diferentes classes sociais, mas enriquece apenas uma, a mesma que possui acesso às clínicas de tratamento e a informação.


Para o grupo/artista a situação do aumento do uso do crack na zona central do DF e em suas cidades já pode ser considerada grave?

Qualquer situação já é grave. Se o Crack e outras drogas fossem apenas de uso das periferias, possivelmente não haveria tal “repressão”, divulgação e “preocupação”. A falta de fiscalização nas fronteiras, sobretudo, a falta de combate à corrupção (leia-se desvio de recurso do SUS e SUAS e educação) é mais grave.

A omissão e estagnação do governo brasiliense e nacional são graves. Até então só foram discussões e pouca prática em relação ao combate ao crack, tratamento de dependentes e fortalecimento social, econômico e afetivo junto às famílias.


Qual a opinião do grupo/artista, sobre as denúncias de supostas torturas, abusos psicológicos e sexuais cometidos por PM´S do DF à usuários de crack da Zona Central de Brasília? Crianças e adolescentes supostamente espancados no “quartinho da tortura” na Rodoviária do Plano Piloto e amarradas pelas mãos e pés, sendo jogadas da Ponte JK?

Eu poderia citar que enquanto não houver um bom preparo da Polícia Militar estas situações vão se repetir, porém não cometerei tal erro, pois este é o dever dela: higienização social e controle popular.

Não dá para esperar tratamento diferente enquanto não ocuparmos espaços nos Conselhos Comunitários de Segurança, por exemplo. Enquanto não conhecermos nossos direitos, não conseguiremos defende-los. Aí temos um papel chave – enquanto Hip Hop. Somos comunicadores e comunicadoras, devemos dialogar com os agentes de segurança e políticos, propor alternativas, e, sobretudo voltar à base: ser povo.

Mas a respeito do ocorrido, é necessário que haja investigação e punição exemplar dos envolvidos e envolvidas. São denúncias gravíssimas que não podem ficar apenas nas gavetas da corregedoria.


Qual a opinião do grupo/artista, sobre a história do médico Marcelo dos Santos Clemente, que largou a profissão para morar na Crackolandia dedicando-se ao tratamento dos usuários de crack, e que subitamente morreu aos 27 anos?

O jovem Dr. Marcelo deixa uma mensagem importantíssima: a humanização do atendimento aos usuários crack. Seu envolvimento e doação à Crackolandia também são referencias a nós. Hoje criminalizamos e demonizamos aqueles que se encontram nestas condições. A história dele deve ser conhecida, debatida e sobretudo vivida!


O Rap pode ser um instrumento de conscientização, um alerta a esses jovens usuários ou em situação de miséria que são mais vulneráveis ao uso do crack?


Não só pode como tem que ser. Mas deixo claro que nada valerá lutarmos tão somente contra o crack se em nossas canções continuarmos citando o álcool e o cigarro, como padrão de alegria.

Estes matam e viola muito mais que o crack. Precisamos, assim como qualquer tema, estudo e aprofundamento antes de falarmos ou cantarmos. A elite brasileira tem consciência que nos privando de acesso a informação nos manipulará e dominará sem esforços, cabe a nós lutarmos contra tal opressão.


O grupo/artista exerce alguma atividade ou projeto visando o combate ao crack?

Desde meados de 2005/2006 desenvolvo oficinas e palestras em escolas públicas no Distrito Federal e entorno, onde abordo o consumo de álcool e tabaco e a criminalização da juventude e periferia. Lançamos músicas, informativos e recentemente um vídeo de animação destinado a crianças, intitulado “Viúvo”. O mesmo será distribuído gratuitamente as escolas públicas de Samambaia. Além disto, desde dezembro de 2009 atuo como Conselheiro Tutelar na cidade Estrutural, onde atuamos diretamente com famílias, crianças e adolescentes em tal situação.

Mensagem aos jovens do DF e entorno, fãs, famílias e usuários de crack, de conscientização e motivação, para o não uso da droga.

Assim como nos palcos proponho que combatamos a omissão e negligência tão presente em nós; peço a você que está lendo está matéria, que conhecendo criança ou adolescente em situação de drogadição procure um Conselho Tutelar em sua cidade, um CRAS ou CREAS. Indique a família aos AA – Alcoólicos Anônimos e NA – Narcóticos Anônimos. Estes espaços orientam as famílias e comunidade como lidar com a situação.

“Quantas, quantos?
Que nesta noite adentraram seus lares e ao invés de trazer alegria, fartura, bênçãos,
trarão somente a tristeza, pranto, sofrimento.

Quantas, quantos?
Nesta noite serão encontrados aos pedaços dentro carros devido o acidente provocado pela embriaguez
Quantos nesta noite provarão o álcool pela primeira vez?”

#Aborígine - Pretérito Imperfeito


Fica ainda o convite a nos assumirmos como livres. NÃO PRECISAMOS DE TRAGOS E DOSES, ESTES NÃO TRAZEM ALEGRIAS, APENAS ALGEMAS. Estou cansado de ver amigos de infância morrendo de overdose, outros morrendo após acidente de trânsito devido a embriaguez. Chega! Temos exemplos suficientes para nos distanciarmos, não basta?





*Recentemento o blog DuRap-DF, um dos maiores do genero em Brasília produziu matéria sobre o Crack nas periferias e centro de Brasília, realizando entrevista coletiva com artistas, produtores e escritora ligada ao Movimento Hip Hop de Brasília e do país.

A matéria 'O Crack por nós' teve participação de Japão-Viela 17, Jéssica Balbino, MC Ahoto, Insituto Caminho das Artes, Daher-Guind'art e dentre os convidados o MC Markão Aborígine.

Leia a matéria na íntegra: http://www.durapdf.blogspot.com.br/2012/05/o-crack-por-nos.html#comment-form

02 junho 2012

Nos mês do trabalho, muita luta, muito amor



Este mês foi incrível, agradeço. Venho partilhar com vocês alguns momentos que me marcaram muito, enquanto artista.

No dia 1º de maio nos unimos a trabalhadoras e trabalhadores em um ato na Ceilândia, logo após somamos força junto ao Sind'agua na mobilização por melhores condições de trabalhos aos companheiros e companheiras que atuam na Caesb.

A visita ao Novo Pinheirinho, nos trouxe novas esperanças! Parabéns pela resistência e pelo primeiro degrau rumo a vitória.

Sinto que a proximidade aos lutadores e lutadoras nos impulsionaram a superar situações de conforto e colocamos em prática muitos desejos, novas poesias, novas canções.

Em São Paulo, a convite e confiança dos meus companheiros do Equilibrio Rap sentimos mais uma vez a força do povo. Fomos recepcionados por tratores de derrubavam uma favela. Caminhando entre os escombros víamos no chão 40 anos de resistência derrubados em poucos segundos.

Mas comemoramos, nos alegramos. Pois esta derrubada, diferente das que acompanhamos país a fora, foi vitória. Os resistentes por mais de 04 décadas venceram a batalha e em breve estarão em novos lares, com dignidade.

O show e sobretudo as conversas com todos e todas foram ótimas. A organização e articulação do Rap em Votuporanga é motivadora, vimos que temos muito que aprender, e aprendemos com eles e elas.

Já no Distrito Federal, precisamente no CEF 01 de Brazlândia ministramos palestra sobre Bulling e Preconceitos a partir da música 'O Circo', mais um momento emocionante. Relembrei naquele momento de quando era estudante, escrevendo meu primeiro Rap na sexta série... Louco!

Fui questionado se já passei por depressão, devido as piadas e ofensas direcionadas à minha obesidade, silenciei-me. Vi que muitas vezes respondi isto com violência e vi que também multipliquei os mesmos preconceitos. A atenção nos olhares, os sorrisos, as surpresas, os aplausos soou como: Sim, vocês estão fazendo certo, força!

E é assim, com mais força e rebeldia daqui pra frente.

31 de maio de 2012, novo show, novas músicas e um amor já antigo, porém renovado. A apresentação no América Rock, pra eu foi única e emocionante. Pessoas atentas ao discurso e os aplausos e elogio do grande Celso Gomes - DJ Celsão, me motivou ainda mais.

Agradeço a todas e todos presentes neste evento, a todas e todos que não puderam ir, mas desejaram sorte, parabenizaram, a vocês minha gratidão e orações.

Isto foi apenas um mês, encerrou apenas um semestre de 2012, mas daqui pra frente, a partir destas palavras o show é de vocês, não só nos palcos físicos, mas nos palcos da vida. Sabe por quê?

"O Show começou, o poeta vai no flow
Os manos e as minas, só os guerreiros grita..."

Esta história não é minha, mas de cada um que partilha Sopro de vida em seus talentos. Axé aos amigos Glauber, Raro, D.j. Liso, Dnego Produções, Palito e Guilherme, Kalango QI, Henrique QI. Às amigas Lô Sousa e blog DuRap, Luana Euzébia, Juh Juliana, Thaline Valcácio e Alice - Nakaradura, Gleicy Kelly, Janaína, Rose Elaine (te amo), Tudo nosso!

Obrigado,
Markão Aborígine

*Postado originalmente no facebook

25 maio 2012

Mapa do femicídio



Mapa da Violência 2012 revela que 91 mil mulheres foram assassinadas de 1980 a 2010

Natasha Pitts - Jornalista da Adital, 21/05/2012

Como complemento do Mapa da Violência 2012, o Instituto Sangari divulgou há poucos dias um caderno especial sobre homicídios de mulheres no Brasil. Devido à relevância e gravidade do assunto, o Instituto preparou um material específico para alertar e informar a sociedade brasileira e o poder público sobre esta problemática.

O Caderno Complementar ‘Homicídios Femininos no Brasil’ fez um histórico dos assassinatos de mulheres ocorridos de 1980 até 2010 e constatou que foram assassinadas no Brasil quase 91 mil mulheres, 43,5 mil só nos últimos dez anos. De 1980 a 2010 o número de assassinatos passou de 1.353 para 4.297, aumento de 217,6% na quantidade de vítimas fatais.

Os crimes apresentaram um crescimento maior até o ano de 1996. A partir desse ano, as taxas foram se estabilizando em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres. O relatório destaca ainda que em 2007, ano em que a Lei Maria da Penha entrou em vigor, os assassinatos apresentaram uma leve queda, mas rapidamente as cifras anteriores foram retomadas.

Em 2010 foram 4.297 casos, o que representa uma média de 4,4 assassinatos por 100 mil mulheres. Com essa cifra, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil se insere na 7ª posição em uma lista com 84 países. Nos primeiros lugares está El Salvador, com taxa de 10,3 homicídios para cada 100 mil mulheres, seguido por Trinidad e Tobago (7,9), Guatemala (7,9), Rússia (7,1), Colômbia (6,2) e Belize (4,6).

O Estado que puxa o Brasil para a 7ª posição é, em primeiro lugar, o Espírito Santo, já que apresenta mais que o dobro da média brasileira com taxa de 9,4 homicídios em cada 100 mil mulheres. A região é seguida por Alagoas (taxa de 8,3 em cada 100 mil mulheres), Paraná (6,3), Paraíba e Mato Grosso do Sul (ambos com taxa de 6,0).

Na outra ponta Piauí, com taxa de homicídios de mulheres de 2,6, é o Estado com o menor índice de assassinatos. Junto a esta região vem São Paulo (taxa de 3,1), Rio de Janeiro (taxa de 3,2), Maranhão (taxa de 3,4) e Santa Catarina (3,6).

Com relação aos instrumentos usados para praticar os crimes, o relatório destaca que metade dos assassinatos de mulheres é cometida com armas de fogo. Outros instrumentos utilizados para o homicídio são objetos que exigem contato direto, como objetos cortantes ou penetrantes, objetos contundentes, além de sufocação ou estrangulamento. O Caderno Complementar também destaca 40% dos crimes contra as mulheres são cometidos em sua própria residência ou habitação.

O Instituto Sangari apurou ainda que até os 14 anos de idade das vítimas, os pais são os principais responsáveis pelos incidentes violentos. Até os quatro anos, são as mães. A partir dos dez anos predomina a figura paterna.

"Esse papel paterno vai sendo substituído progressivamente pelo cônjuge e/ou namorado (ou os respectivos ex), que preponderam sensivelmente a partir dos 20 anos da mulher até os 59 anos. A partir dos 60 anos, são os filhos que assumem o lugar preponderante nessa violência contra a mulher”, revela o Caderno especial.

As mulheres se transformam em verdadeiras vítimas a partir dos 15 anos e permanecem até os 29, com maior registro de violência e assassinatos no intervalo entre 20 e 29 anos, que é o que mais cresceu nos últimos dez anos. O relatório do Instituto Sangari destaca que a partir dos 30 anos, a tendência é de queda.

Os dados divulgados, no Caderno Complementar do Mapa da Violência 2012, são uma tentativa de ajudar, com informações, o poder público e demais autoridades responsáveis a elaborarem estratégias mais efetivas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. Para isso, o Instituto Sangari garante que vai continuar a elaborar o estudo sobre essa problemática para que o material possa servir de subsídio aos que trabalham em favor da causa.

19 maio 2012

"O deus"


Thor: O rico, acha mesmo que é um deus
Atropela, mata, ainda sai queimando pneus!

Thor, o da ficção
Tem poder a partir de um martelo na mão

Thor, de nossa nação
Tem poder a partir de um martelo... Da justiça a disposição

OBS: Os deuses devem está loucos... Aliás 'apenas' milionários!

15 março 2012

Capital Bar


Em um bar dos amigos festejando o aniversário
Um pede cerveja, o outro traçado
Engraçado, um adolescente e outro idoso
Comemorando 51 com aparência de 88

Ei, liga pra alguém ai, manda trazer uma CANABIS
Tive uma idéia melhor, alô JOHNNY WALKER tô no “BAR DA CAPITAL” traz um BALLANTINE’S!
E a ERVA? Hoje quero chapar...
Relaxa, isso é igual PEDRA, encontra em qualquer lugar

Eu to velho, mais até falando as cores em inglês estou
Fala ai... Verde? GREEN LABEL.
Preto? BLACK LABEl.
Vermelho? RED LABEL
Agora vermelho escuro! Te peguei (iirru)
Vermelho escuro é: REDBULL

Puta frio, eu todo agasalhado e tu ai de regata
Para de fazer BRAHMA, nem tá assim, sou igual pingüim na ANTÁRTICA
E aquela ali quase pelada, amassando a latinha?
É mais uma DEVASSA que consumiu TEKILA.

PARATUDO! Pensa, calcula: gole + gole = suicídio, você morre
Menos consciência + mais propaganda + doses e doses = cirrose
Com isso, só nos DOMUS mal, desnutrição do corpo e manipulação da mente
Realidade da capital que em cada esquina tem um PRESIDENTE.

Por: Quadrilha Intelectual

13 março 2012

Brasil: Um país com miséria


Este foi o primeiro post de nosso blog, em 2008. Como a situação não mudou, aliás piorou, vimos novamente refletir e mobilizar sobre o tema. O título inicial era 'Dados sobre desigualdade', onde citávamos o título atual. Mau sabíamos que o antonimo seria slogan da atual presidenta. Infelizmente é apenas um slogan!

Um calçado onde o cadarço equivale ao meu salário/Enquanto isso o homem morre a cada três segundos por não ser alimentado. Aborígine

Inspirados neste verso do grupo de Rap Aborígine iniciamos o debate nesta quarta edição do informe militante. O porquê de conhecermos dados sobre desigualdade? Para darmos conta que fazemos parte destes números em quaisquer esferas, oprimidos ou opressores.

É de suma importância que entendamos que a transformação parte de cada um. Precisamos nos conhecer para conhecer o outro. Precisamos mudar para mudar o outro. Isto em construção coletiva, respeitando as especificidades, características e saberes.

Nosso intuito nesta edição é transmitir sentimentos inquietantes, para que estejamos determinados na luta. Você leitor e você leitora não deve ser coadjuvante de sua história, não podemos permitir que uma minoria escreva uma história mentirosa. Estas histórias que lemos nos livros que recebemos ou compramos durante nossa formação acadêmica.

Saiba que fomos educados a não enxergar. O mundo nos diz que devemos ser individualistas, racionalistas, mecânicos. O problema do outro só é meu a partir do ponto que sou prejudicado. Não preciso ajudar. Não preciso comunicar.

Isto se é notado nas festas de aniversário infantis que são última moda. As crianças não se sujam, não se integram. Cantam os parabéns através das teclas em aniversários feitos em “Lan houses”, ou são forçadas a uma “adultez”; Crianças e suas vaidades, salão de beleza, celular.

Entendendo uma pequena parte deste mundo vejamos o que ele provoca:

- A cada três segundos uma pessoa morre no mundo devido a miséria;
- Apenas 20% da população mundial consomem 86% dos bens disponíveis;
- O gasto per capita de um suíço com saúde é 151 vezes maior que um habitante do Níger;
- A cada dez segundos uma pessoa morre de Aids;
- Os gastos militares anuais chegam a U$$ 1 trilhão. O combate a Aids U$$10 bilhões;

Lembramos que estes 20% da população mundial consomem a metade de toda carne e peixe, 58% de toda energia, utilizam 84% do papel produzido e são donos de 90% por cento da frota mundial de carros, enquanto os pobres têm menos de 1%. Hoje neste mundo temos mais de 170 guerras.

Vejamos o Brasil, um pais continental que é primeiro mundo durante o carnaval.
- A renda per capita do Lago sul é de 73 salários mínimos;
- Os quatro mais ricos, somando suas riquezas possuem o PIB de dois anos atrás;
- O Brasil com seus 180 milhões de habitantes está no quinto lugar no ranking de país mais desigual, os quatro primeiros somam apenas 15 milhões de pessoas;
- As elites brasileiras possuem uma renda familiar anual de 450 mil dólares, os outros 99% da população brasileira possuem uma renda familiar de 16 mil dólares.

Estes dados revelam o porquê de a cada 1000 crianças nascidas no Brasil 26 morrem: Brasil – Um País Com Miséria.

Somos um país de indigentes. Este mundo escraviza nossas crianças em carvoarias, em semáforos e em lixões. Impõe a discriminação racial onde 63% dos pobres são negros. Produz a indústria da seca e a migração para grandes centros. Constróis cidades dormitórios, famílias desestruturadas, palafitas, residências em viadutos.

A felicidade é o destino de todos, mas infelizmente a realidade impõe obstáculos. Podemos derrotá-los através de mobilizações e de transformações silenciosas, não somente lutas ou o voto, mas a partir de um amor verdadeiro ao próximo.

Possibilitando-o está junto de sua família em um domingo ou feriado, boicotando o comércio nestes dias. Sonhando, denunciando e partilhando. Procure entidades sociais, procure mudar suas atitudes dentro de casa, escola, trabalho, dê importância à vida em sua plenitude e lute para que a dignidade reine em coletividade.
Você é protagonista.

Fonte: Zine Informe Militante
Autor: Aborígine

Imprestável mente


Atualmente Brasília passa por 02 momentos que chamam bastante atenção: Greve das professoras e professores e onda de violência praticada contra moradoras e moradores de rua. Um debate sobre a ligação história entre a péssima educação na capital da esperança e a violência enraizada na sociedade ainda será travado aqui.

E inicio postando, após refletir sobre tais temas, uma letra composta em 2001.Chama-se imprestável'mente'. E naquela época abordava tais temas que infelizmente tornam-se tão atuais.

Uma boa leitura e ótimo debate a nós. Peço compreensão pela imaturidade em algumas palavras, mas analisando esta letra, imagino a mesma como um TEASER as canções Pangéia e principalmente 'O Circo' que lancei recentemente.


IMPRESTÁVEL'MENTE'

Por gentileza irmão, muita atenção o tema é discriminação
Eis a peste que estremece toda a nação
Eu posso falar, pois tenho direito assegurado na constituição
Um artigo que é desrespeitado, liberdade de expressão

Vim falar sobre racismo e logo fui discriminado
Pois não há espaço pra deixar o povo informado
O que toca no rádio, televisão é exploração do sexo
Induz a atividade sexual precoce, mas sou eu que não presto

Pois falo do homem que enquadra o burguês no semáforo
Da criança sem escola decente que acaba no tráfico
Os professores, os trabalhadores também são desrespeitados
Tudo sobe menos o salário

Também aumentam a dor, a miséria, o sofrimento
O número de pessoas tapando buraco de Br’s para garantir o alimento
Foram esquecidos pelos políticos que elegeram
Vêm o Brasil como aeroporto e mesmo assim usam do preconceito

...Viajam constantemente para o estrangeiro...

Sou discriminado porquê falo da violência em meu protesto
Mas não. A levo a discussão e mesmo assim eu não presto

Eu não presto, pelo o que sonho eu não presto.
Eu não presto, pelo o que visto eu não presto.
Eu não presto, pelo o que sou eu não presto.
Eu não presto, pelo o que vivo eu não presto.


Quem é você pra humilhar alguém por sua cor
Neste país que por negros, brancos, índios foi construído morou?
Então não desrespeite seguidores de outras doutrinas
Que antes da tua existia

Não trate uma mulher como se ela fosse inferior
Não ofenda o homossexual, pois como você tem valor
Dê uma chance para o ex-presidiário se reabilitar
Quem sabe no outro dia ele poderá voltar a assaltar

Olhe nos olhos do mano e da mina que distribuem panfletos
Ajude-os. Não estão roubando, estão trampando mesmo
Isto também vale para o engraxate, o flanelinha
Pra qualquer um que está na correria

Assim como eu que fala por aquela senhora
Preocupada não sabe se sua filha voltará da escola
Falo por quem exige reforma agrária
Não planta violência, quer colher paz. Não usa arma e sim enxada

Falo pelos mendigos que para o sistema não são cidadãos
Através das poesias proponho solução
Mas mesmo assim sou discriminado
Por familiares que acham feia a música que faço

Mas como? Se na dura realidade não vejo beleza
São cenas de dor, horror e muita tristeza.
Mas há uma luz surgindo
Sofrendo com a seca sempre vejo a alegria estampada no rosto do povo nordestino

Sempre digo que a esperança não possui cor, sexo, credo.
Talvez por isto eu não presto.


Eu não presto, pelo o que sonho eu não presto.
Eu não presto, pelo o que visto eu não presto.
Eu não presto, pelo o que sou eu não presto.
Eu não presto, pelo o que vivo eu não presto.



Aborígine, janeiro de 2001.

11 março 2012

Vídeo Educativo VIÚVO


O vídeo acima integra o projeto Aborígine: Juventude, cultura e cidadania, idealizado e promovido pelo artista em tela.

Trata-se do oferecimento de oficinas e palestras de formação em escolas públicas do Distrito Federal e demais entidades, cujo os temas abordados vão de drogadição - conforme vídeo acima - a história local e política. A atividade já percorreu por mais de 80 instituições, dentre escolas, ONG's e grupos de jovens.

A produção do vídeo foi feito em parceria com o artista Fábio Torres,conhecido e talentoso ilustrador de São Paulo, cuja proposta principal é aproximar o debate sobre o consumo de tabaco à crianças e adolescentes.

O projeto teve inicio em 2006, mas três anos depois ganhou CD e Revista, que foram distribuídos nestes espaços. Uma canção intitulada 'Pretérito Imperfeito' fora transformada por educadores em um roteiro de oficina e esta ministrada pelo Rapper.

O vídeo, faz parte de um DVD composto ainda por Extra com entrevistas, fotografias das atividades e clipe animado da música Pretérito Imperfeito. O mesmo será distribuído gratuitamente em escolas públicas de Samambaia - DF.

FICHA TÉCNICA


Artista: Aborígine
Poesia: Viúvo
Autor: Oitto
Animação: Fábio Torres
Apoio: Coletivo ArtSam, Dnego Produções e Prêmio Preto Ghoez

09 março 2012

A Capital

Políticos, médicos, arquitetos, burgueses, engenheiros
Confortavelmente conhecidos como pioneiros

Nós? Pedreiros, serventes, pau de arara, mãos calejando
Expulsos do centro, discriminadamente chamados de candangos

A eles há o verde, arborização, local para esporte diversão
O nosso verde, há muito tempo utilizado por eles, como lixão

Possuem praças, jardins
Irrigados com a mesma água que falta por aqui

Três meninas tomba, Noroeste ergue-se
Cerrado ao chão, Condomínio prevalece
Destinação de equipamento público, por lei modificada
Para construção de Shopping na área pelo parlamentar comprada

Fauna e flora extintas
Menos os animais selvagens da nova câmara legislativa

Lá na capital, eles têm o lago Paranoá para elevar a umidade do ar, facilitando a respiração

Lá na Estrutural, nós temos um lago de churume que sempre que chove, transborda e invade a casa da população

Quão bom é possuir plano de saúde convênio
Para que nossas crianças não nasçam em corredores ou morram nos banheiros
É a falta de leito e higiene misturados a placenta
A capital grita de dor, pede socorro, mas não agüenta

Aqui o natal não tem chester, ceia, e sim um misto de tristeza e fome
E lá na capital governador distribui panetones

Uma Brasília ora pedindo ajuda, proteção
Uma outra ora agradecendo o cifrão, o enriquecimento, a corrupção

A capital é um filme no cinema
A capital é um filme no cinema

De um lado final feliz, de outro trágico
Eles tem pontos turísticos e aqui pontos de tráfico

Comum entre as Brasílias
Porém eles possuem dinheiro pra pagar a clinica
De recuperação aos seus dependentes e pra gente
Não há clinica de recuperação pra crianças viciadas, somente:
rua, redução da maioridade penal, prisão: correntes

Eu sigo amando através de minha música, de meus poemas
Construindo para a capital Outros 50.

02 março 2012

Belo Monte desaloja 400 em Altamira



Desde o final de janeiro, 400 pessoas já foram deslocadas de suas casas por conta da repentina cheia causada pelo barramento provisório de um canal do Rio Xingu, na área de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

O alagamento tem atingido inúmeras moradias dos chamados baixões, os bairros mais pobres da periferia da cidade, ocupados por casas de palafita, às margens do rio e canais d’água.
Boa parte dos moradores foram deslocados pela prefeitura para o Parque de Exposições Agropecuárias de Altamira (Expoalta). Uma parcela menor foi para o Ginásio Poliesportivo da cidade.

As famílias foram pegas de surpresa pela enchente. “Estamos acostumados a sair no final de março, começo de abril, quando já choveu bastante e o rio enche muito”, comenta o pescador Manuel, do bairro Invasão dos Padres, que teve sua casa destruída pela cheia e está vivendo precariamente no Parque.

Precariedade

“Eu nunca vinha pra cá. Sempre que enchia, eu alugava uma coisa pra minha família, aí a gente ficava lá uns dois meses. Mas com essa barragem o aluguel subiu demais e a gente veio pra cá”, conta Ronaldo, morador do bairro Boa Esperança. “Aqui é muito ruim”.

As instalações improvisadas pela prefeitura são precárias – no Parque, apenas dois banheiros atendem às cerca de 80 famílias lá instaladas. As caixas d’água chegaram a ficar uma semana sem água. Quedas de energia são constantes. As residências foram construídas dentro de estábulos, stands de exibição de animais e tratores, e barraquinhas de comida.

“A gente acha que eles enchem as caixas com água do [igarapé] Ambé. Muitas crianças aqui, e alguns adultos, estão com diarreia por causa da água ruim”, conta Azenir, moradora do bairro Açaizal, atingida pela cheia.

Ela também explica as dificuldades que a nova moradia implicou no modo de vida de sua família. “Minha filha provavelmente vai perder o ano na escola, porque não tem transporte pra levar ela daqui pro colégio”, lamenta.

“Eu e meu marido também estamos andando uns 4, 5 quilômetros a mais pra ir pro trabalho. Antes eu chegava em 10 minutinhos, contados no relógio”, explica Azenir. Também relata que este caminho é bastante perigoso. O parque de Exposições fica às margens da estrada que vai para os canteiros de obras da hidrelétrica, por onde passam dezenas de ônibus que levam os cerca de 5 mil trabalhadores de Belo Monte. “Um ônibus do CCBM [Consórcio Construtor Belo Monte] vinha ‘disputando carreira’ com o outro, aí veio pro nosso rumo.

Pra não cair pra debaixo do carro, eu tive que jogar a bicicleta pra fora da pista. A gente se arrebentou todinho. Perdi meu celular e as coisas que estavam na cesta da bicicleta”, conta a moradora.

Barramento

Especialistas concordam com a opinião dos moradores de que a cheia antecipada é decorrente do barramento provisório (ensecadeira) do canal do Arroz Cru, na Volta Grande do Rio Xingu. A professora e diretora do curso de Geografia da Universidade Federal do Pará (UFPA) de Altamira, Rita Denize de Oliveira, defende que o barramento está diretamente relacionado à cheia súbita do Xingu e seus braços d’água. “Geralmente, a visão dos engenheiros é de que, se você fazendo uma intervenção localmente, ela não vai refletir sobre a bacia hidrográfica.

Essa ideia é equivocada. Essas intervenções locais tomam uma amplitude, em termos de bacia hidrográfica, muito grande, sobretudo porque na area da Volta Grande você tem uma morfologia bastante diferenciada”, explica.

“Um barramento significa uma interrupção no fluxo natural das águas do rio. Interrompendo esse, reduz-se a capacidade do rio de liberar a quantidade de água que ele recebe”, pontua. No inverno amazônico, onde a quantidade de chuvas no mês de fevereiro é bastante elevada, a situação é mais problemática. “As perdas de água do rio, que aconteceriam naturalmente se não houvesse barramento, não acontecerão porque há essa intervenção nos canais do Xingu. A profundidade do rio foi reduzida, e assim, também se diminui a capacidade dele de receber água e de escoar, de liberar essa água. Com a redução da capacidade destes canais, você muda essa dinâmica, voce gera um excesso de água que vai atuar diretamente sobre essa população que não era afetada neste período, e agora já está sendo.”

A professora alerta que é possível que, com os barramentos, ocorram acidentes mais trágicos no decurso das obras. “Não se pode descartar a possibilidade de um acidente muito mais grave. Em fevereiro, já estamos enfrentando estas cheias. Se o volume de água tem aumentado, obviamente que a capacidade do rio e destes barramentos podem ser excedidas. As barragens podem se romper e teremos problemas sérios, como nas enchentes que ocorreram alguns anos atrás em Altamira, que geraram consequências gravíssimas”, conclui.

As famílias desalojadas moram nos igarapés – pequenos braços de rio comuns na região amazônica – Ambé, Panelas e Altamira, e também nas margens urbanas do Rio Xingu. Os principais bairros afetados foram o Boa Esperança, Baixão do Tufi, Açaizal, Invasão dos Padres e Jardim Idependente II.

Fonte: Xingu Vivo