19 julho 2017

Lançamento: Um canto a Margarida



Foram pouco mais de 02 anos sem nenhum lançamento musical do MC e poeta Markão Aborígine, representante e militante do Hip Hop no Distrito Federal.

Com produção musical de Gibesom, a voz marcante da cantora Josi Araújo e audiovisual por Ak13, Aborígine apresenta a música Um canto a Margarida, que narra a história de vida e luta da lutadora paraibana Margarida Alves.

O lançamento marca o anúncio do novo álbum previsto para segunda quinzena de agosto.



FICHA TÉCNICA


Letra: Markão Aborígine
Participação: Josi Araújo
Produção musical, mix e máster: Gibesom
Lyric vídeo: Ak13

DOWNLOAD: https://goo.gl/9Nw6v5

16 julho 2017

Que os pobres cuspam!


Ao tempo que o Brasil chega a marca de 14 milhões de desempregadas e desempregados, fruto, segundo a mídia corporativa de uma crise econômica e política, julgo importante analisar as questões a partir de um olhar próximo a realidade social das e dos mais pobres.

Segundo o IBGE a renda per capita do povo brasileiro em 2015 foi de R$ 1.113, sendo que 23% da população, segundo o jornal Correio Brasiliense vive com menos de um salário mínimo. Por outro lado, a Calculadora da Desigualdade, projeto realizado pela Oxfam Brasil nos mostrou a face cruel da concentração de renda no país.

Estes mesmos 23% da população, se empregados, trabalham minimamente 30/40 horas semanais para recebimento de um salário mínimo, enquanto isso, aproximadamente 4 mil multimilionários lucram valor equivalente à um salário mínimo a cada 12 minutos. Não se ouve isto, não se fala disto, há uma normalidade na exploração.

Segundo Rosseau o Estado legitima a desigualdade social ao tempo que protege a propriedade privada, acredito que afirmou isto olhando para o Brasil. O privilégio da propriedade privada baseia-se na concentração de renda e terra, que só no último mês motivou o assassinato de 11 trabalhadores rurais no Pará.

Mais que a polarização ou 'crise' política, que sim, agrava sintomas da desigualdade social, devemos discutir pontos estruturais, como a tributação brasileira que é extremamente injusta, pois taxa sobretudo os mais pobres.

A lei 9.249 de 1995, criada durante governo FHC, retira a taxação de lucros e dividendos dos mais ricos. O imposto sobre propriedade de terra é a partir do que se declara e não do que realmente é, ou seja, a extensão territorial da terra ocupada. O Instituto de Estudos Socioeconômicos calcula que isto gera uma sonegação de quase 500 bilhões. Pra exemplificar a treta o orçamento anual da saúde é de 198 bilhões.

Realmente a matemática na prática é sádica!

O golpe burguês é mais que político, é maior que impeachment causado por algo que dois dias após derrubar Dilma deixou de ser crime. O golpe na quebrada é mortal. É aqui onde morrem sem atendimento médico, é aqui onde crianças voltam pra casa, pois não há professores, é aqui onde escrevo no momento em que há tiroteio na rua (minhas orações pra o pior não aconteça). É aqui onde as pessoas são condenadas injustamente por sua cor, por seu CEP, muito antes de Lula, pena que parte da esquerda demorou a enxergar isto.

Nossa esperança não está em 2018, por mais importante que seja, não está. Devemos respira-la, devemos partilha-la cotidianamente. A transformação está nas ruas, mas não em esplanadas ou grandes avenidas. Se continuarmos pagando carros de som, fretando ônibus para capitais, balões enfeitando os céus e um calendário de protestos sem virar-se para as casas e as ruas destas casas não haverá avanço.

Então Rap é mais que palco, precisamos aprofundar o que tanto denunciamos, enfrentar as reformas trabalhistas e previdenciárias, afinal essa burguesia já congelou por 20 anos o orçamento que mau chegava as quebradas, imaginem então o que será de nós em duas décadas. Some isto ao trabalho intermitente, terceirização e aposentadoria inatingível que encontrará o desaparecimento de famílias.

Ora, são 4 mil multimilionários, se cada pobre cuspir eles morrem afogados!

13 julho 2017

A matemática na prática é sádica!

Nunca fui bom em matemática, mas estava pensando aqui.

- A sonegação das grandes empresas paira aos 500 bilhões de reais por ano. Só a Globo deve a Receita Federal cerca de 400 milhões;

- O presidente do Banco Itaú, ops... Banco Central e Governo Temer perdoaram a dívida (agora sim) do Itaú de 20 bilhões;

- Vira e mexe ouço e falamos do tal impostômetro, da tributação brasileira cabulosa e pá, certo? Sempre vem com uma frase que diz "trabalhamos aproximadamente 04 meses pra pagar impostos", mas nunca notamos que tal tributação é sobre o consumo e não sobre RENDA (mais ricos pagariam mais) e sobre PROPRIEDADE (mais ricos pagariam mais). Por que será?

- Daí a mesma Globo que deve 400 milhões, e o Governo Golpista que distribui emendas e perdoou 20 bilhões do Itaú vem dizer que a culpa da porra toda é da contribuição sindical?

Contribuição sindical = 1 dia de trabalho

Caraio acho que a culpa é dela mesmo e as empresas são coitadinhas, nossas gestantes precisam mesmo trabalhar na insalubridade, nós precisamos mesmo almoçar em 30 ou 15 minutos, se pá nem almoçar.

MATÉRIA SOBRE IMAGEM CLIQUE AQUI: https://goo.gl/ZTgiMo

11 março 2017

Correio Brasiliense entrevista Markão Aborígine

Como você avalia a saída do hip-hop da periferia. O interesse dos grandes centros? É uma apropriação ou uma forma de valorizar ainda mais a cultura?

Há dois caminhos. Existe, sim, uma apropriação. A gente vê cada vez menos espaços e casas de show nas periferias e uma concentração de recursos de qualidade nos grandes centros. Então, há um movimento de apropriação, só que há, também, o empoderamento dos agentes periféricos. Eles estão se tornando empreendedores, se formalizando e dominando a ferramenta da comunicação. São as músicas mais tocadas em uma era de YouTube. Porém, pela escassez de espaços nas periferias, uma falta de política pública e investimento em rádios comunitárias, esses artistas, dependendo da linha de música, vão sendo esquecidos e excluídos desses grandes centros e oportunidades. A gente precisa se organizar e fazer um combate a essa indústria, que está cada vez mais comercializando (e banalizando) o hip-hop. Se não, a gente vai ser apenas uma música, deixando a questão do ativismo e da militância para trás.

O discurso tem mudado?


Ele tem melhorado. Hoje, na música rap, é mais presente um discurso que questiona machismo, sexismo, misoginia e homofobia. Artistas que se reconhecem como transexuais, gays e lésbicas têm mais visibilidade e são aceitos. Há 20 anos, era um confronto complicado. Além da realidade cruel de violência policial, pobreza e miséria, a gente viu que, enquanto periféricos, reproduzimos outras formas de exclusões, de opressões e de violências, como fazem os poderosos.

Como você vê o futuro do hip-hop, aqui na capital?

Costuma-se falar que, no DF, a gente tem o segundo maior polo do gênero no Brasil. O primeiro seria São Paulo, mas acho que Brasília disputa este posto com o Rio de Janeiro. Estamos tentando quebrar esse eixo, que está em tudo. Se aliarmos essa prática do exercício artístico, em experiências como a escola de formação do hip-hop e esse “boom” de batalhas de MCs, a um ativismo politizado, acho que vamos colher grandes frutos. O que eu vejo para o futuro do hip-hop na capital é luta. A gente só vai conseguir garantir qualquer coisa por meio dela com a nossa organização, enquanto artista e cidadão. Acredito que conseguiremos alicerçar um trabalho que vai conseguir quebrar esse eixo e despertar olhares para outras regiões do país também. Acho que Brasília tem que ser um fio condutor dessa transformação, para que a juventude periférica e negra tenha um espaço na grande mídia.

Como você vê a cena atual do hip-hop?

No Distrito Federal, temos excelentes talentos sendo revelados. Temos o DJ A, que foi campeão mundial recentemente, além de excelentes artistas no grafite e dançarinos de danças urbanas, que estão representando o Brasil em diversos torneios mundiais. Agora, temos uma Secretaria de Cultura que está premiando o hip-hop com um edital específico. Mas ainda é pouco. Há 10 anos, tínhamos mais rádios, programas de tevê, revistas e fanzines, mas fomos perdendo esse espaço e esses mecanismos. Temos batalhas de MCs, inclusive só de mulheres, que é a Batalha das Gurias. Temos a ocupação cultural do movimento em Santa Maria, que tem serigrafia popular, cineclube e aulas de yoga ofertados por um coletivo. Exemplos como esses têm que ser reproduzidos em cada cidade, e a nossa cena vai ser fortalecida quando a gente se articular além das redes sociais. Para fortalecer essa cena e ela continuar sendo nossa, para não sermos engolidos ou pela repressão policial que vai à batalha do Museu, ou por essa industrialização que vai padronizar todos os talentos, a gente precisa se falar mais.

Quais são os seus projetos no momento?


Eu canto rap, tenho CDs e livros lançados. Estou lançando o Hip-hop em mim e circulando com ele. Mas, um projeto que eu acredito e semeio é a editora popular Poesia em Coletivo, que surgiu a partir da distribuição de fanzines e panfletos no metrô e paradas de ônibus. Nessa experiência, percebi que consigo, além de externalizar o meu fazer poético, garantir o acesso à fala ou à publicação a outras pessoas. Em 2014, eu lancei o livro Favela como ninguém viu!, de um jovem escritor da Estrutural chamado Fernando Borges. No ano seguinte, consegui publicar o Mulher quebrada, que é uma coletânea de textos de mulheres periféricas do DF. Fazemos os livros artesanalmente, aí as tiragens são reduzidas. De forma autônoma e voluntária, eu continuo ministrando oficinas em escolas públicas. Integro a Família Hip-Hop, um coletivo de Santa Maria, onde a gente desenvolve uma escola de formação, com estudos que vão do sistema político brasileiro a produção de eventos. Neste ano, vou produzir o festival Brasília Periferia, que é feito a cada dois anos. Ele vai acontecer nos dias 21 e 22 de junho, em Santa Maria, e vai ser tanto festival musical quanto encontro de grafite.

*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira.

MATÉRIA ORIGINAL: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/03/02/interna_diversao_arte,577427/rapper-de-samambaia-markao-aborigine-fala-sobre-novo-discurso-do-rap.shtml

30 janeiro 2017

Entrevista ao programa Quadrado a Fora



Fui entrevistado por Ju Matos e Maria Rita par ao programa Quadrado a Fora, em meio ao rolé no Parque Três Meninas e Espaço Imaginário, conversamos sobre música, poesia, sonhos e militância.

Segue o convite a continuarmos este debate, bora?

Quer conhecer mais o programa? Se inscreva na página do YouTube e clica aqui também https://www.facebook.com/QuadradoaforaQaF/?fref=ts

29 janeiro 2017

Se eu fosse você, não lia isto.


Conheci o Hip Hop em meados dos anos 90, ora vislumbrado enquanto meu irmão dançava freestyle com amigos, ora quando escutava aquela música grave e que falava de uma realidade tão próxima.

Minha família veio do interior paraibano em busca de condições dignas para criar seus filhos. Nasci no DF e tive os barracos da Ceilândia como estada até conquistarmos o direito à moradia na Samambaia em 1989, cidade que amo e resido até hoje.

Por não conseguir vagas em escolas próximas e pensando que a educação numa cidade já desenvolvida seria melhor para nós, meus pais me matricularam na Escola 28 e, foi em Taguatinga que vivi meus quase 16 ou mais anos de vida escolar. Além de enfrentarmos a poeira, a lama e o péssimo transporte público, era praxe sofrermos com o bullying e acusações, pois tudo de ruim que ocorria na escola era responsabilidade dos alunos de Samambaia. Sem entender, aquilo já mexia comigo.

Sendo criança ou adolescente, sempre me destacava nos trabalhos de redação e história, minha mente fluía. Acredito que era a herança deixada por um avô que em sua juventude foi cordelista, seja pela energia das músicas e Rap's que rolavam no PIRAÇÃO, um ônibus pirata tunado que percorria Samambaia Sul à Taguatinga. Foi lá que ouvi grandes ídolos que hoje são amigos, como GOG, Rivas e Jamaika, Guind'art, Liberdade Condicional, dentre outros.

Não demorou muito para uma professora me motivar a transformar os textos em poesia, me desafiou apresentando algumas métricas; Fui lá e fiz, mais uma nota dez. Eu parodiava músicas do Câmbio Negro, Sistema Negro, GOG e DeMenos Crime, até NAS (um cantor gringo) eu dublei num trabalho de inglês, vai vendo.

Naquela época existiam CD’s apenas com Bases de Rap. Vez ou outra deparava com grupos cantando nas mesmas bases e o mais louco era que tudo continuava mágico. Além disto, os grupos costumavam disponibilizar faixas instrumentais em seus CD's, minhas primeiras músicas foram escritas neste período.

Lembro-me de mixar em fita K7 uma faixa instrumental do DeMenos Crime, dava play no CD e gravava na K7, voltava com a caneta bic para encontrar o ponto certo e pronto, estendia a faixa mais alguns minutos pra enfim cantar. Nessa faixa em questão escrevi a música Favela Capital em 2001; anos mais tarde ela ressurge como Meio Século.

Mas foi em 1997/1998 que subi pela primeira vez num palco, ainda adolescente, enfrentando uma timidez gigantesca, fui cantar numa escola de ensino médio e meus pés tremiam. Lembro-me de ensaiar tanto na noite anterior que fiquei sonâmbulo, acordando meu irmão à noite. E foi ele, Cleres Dantas, o grande responsável por minha formação, me passava várias letras pra estudar, perguntava se havia entendido, me ajudava a escolher o figurino certo, "não, essa roupa da Bad Boy não combina com o Rap, vai com essa aqui!".

Sempre fui fascinado na escrita, seja nas redações escolares ou no pixo, que me ajudaram a superar minha timidez, me socializou, deu-me protagonismo, fez as pessoas olharem de forma diferente para aquele gordinho morador de Samambaia. Respeito, medo? Talvez sejam os dois, mas páginas tristes também compõem esta história, vi brigas, ameaça de morte, morte; Até que em 2001 conheci dois caras, Luiz Paulo e Raphael Macedo, com eles aprendi a cantar e por em prática tudo que meu irmão me ensinou quando trazia letras dos Racionais pra eu estudar.

Eu, Marquim MC, Nego Lupa e Vilão formamos no grupo Êxodo em 2001 e com uma letra que surgiu durante um sonho, vencemos o Festival de Música do CEM 03. A música chama-se O azul de uma caneta, inscrevemos a primeira versão no Abril Pro Rap, gravamos a primeira versão no Estúdio Cartel ao lado de Bruno, DJ Jamaika e Rei, meu nervosismo é perceptível nesta gravação.

Um ponto crucial na minha caminhada foi um encontro na Colônia Agrícola de Samambaia, o Raphael, aliás, o Vilão tinha um amigo que estava estudando o elemento DJ e também tinha um grupo de Rap chamado 'Sistema Oposto'. Num sábado qualquer haveria um encontro em sua casa como vários MC's e ali soltei um dos meus primeiros freestyles, participei de um dos primeiros 'Ensaio Coletivo' da história. O DJ era o Thiago, vulgo Corrupto, que anos mais tarde foi batizado por DJ LISO.

Ao lado do Liso e Carequinha do grupo Consequências da Vida fundei em 2003 o encontro semanal MC's de Classe, que reunia toda sexta feira na Praça do DI em Taguatinga dezenas de improvisadores e improvisadoras. De lá surgiram Thabata Lorena, AfroRagga, Doctor Zumba que já tinha uma carreira brilhante junto ao Artigo 2, dentre outros personagens como Six, Junin QNC, Perninha, Erko. Lembro que fazíamos vários show's de freestyle, sem batalha, apenas a Base e vários minutos de improviso. Aos poucos fui me afastando devido à escola, trabalho e relacionamentos.

Mas tudo mudou em 2004 quando fui presidente do Grêmio Estudantil de minha escola, ali eu praticava toda a teoria revolucionária que o Rap havia me dado. Enfrentávamos a direção, ocupamos uma sala, criamos rampas de acessibilidade para estudantes cadeirantes, íamos direto à Administração Regional pedir melhorias. Nesta mesma época reuni alguns grupos de Samambaia e fundei o Militância Hip Hop, uma espécie de coletivo ou amontoado de trabalhos. Fazíamos oficinas nas escolas, apresentações, fanzines, numa rádio comunitária apresentei por quase dois anos um programa de Rap, possuía certa malandragem e conhecimento, pois já tinha experiência com rádios, quando apresentei um programa de Rap no interior paraibano, na Rural FM de Baraúna.

Entre idas e vindas fazia pequenos shows, cantando uma ou duas músicas, mas estava sempre nas Marchas em defesa de direitos, Grito dos Excluídos, movimentos sociais. Com a experiência do Grêmio Estudantil logo estava atuando junto a ONG's. Com o Grupo Atitude viajei para Batatais - SP e ficamos por uma semana realizando formação de jovens.

Tudo isto moldou o HIP HOP EM MIM.

Casei e tive meu primeiro filho em 2007, dois anos mais tarde estava desempregado e mesmo assim lançava o álbum 'Dia e noite. Dia açoite. Noite fria'. Comprei um pequeno equipamento de som para fazer o lançamento do meu CD em escolas e na rua. Em 2008 fundei o Coletivo ArtSam que por 08 anos fez revolução nas quebradas, possibilitou acesso à cinema, à poesia, foi o primeiro palco de muitos grupos como Quadrilha Intelectual, Réus, Dona Rayla, Mantendo a Identidade, Singelo MC, dentre outrxs.

Fundei o Cineclube Câmbio Negro, Sarau Samambaia Poética, Ensaio Coletivo. Realizei o 1º Encontro de Literatura Marginal do DF. Criei uma Editora Popular em 2013, lancei os livros 'Sem rosto, família ou nome', 'Favela como ninguém viu' de Fernando Borges, um jovem morador da Estrutural e 'Mulher Quebrada' uma coletânea com várias poetizas e militantes do Distrito Federal. Realizei oficinas de literatura marginal, formei poetas. Idealizei e produzi o Prêmio Hip Hop Zumbi, Festival Brasília Periferia e Mutirão Hip Hop Solidário.

Entre documentários, músicas e videoclipes, centenas de escolas e projetos sociais visitados, shows e debates em vários estados brasileiros, me fiz semente. Vi uma menina que treinou Breaking pela primeira vez na garagem de minha casa tornar-se campeã mundial. Vi um grupo que cantou pela primeira vez na garagem de minha casa ser um dos mais respeitados grupos de Rap do DF. Salve B.Girl Prix, Salve Quadrilha Intelectual.

Há 12 anos tenho um companheiro de luta, um verdadeiro amigo e referencial. Conheci o Alex Suburbano em 2005 durante uma reunião que pretendia criar o Fórum Hip Hop DF, e ele já tinha uma atuação militante na Santa Maria com a Família Hip Hop, conhecíamos pessoas em comuns, ONG's em comum. Amadurecemos e crescemos juntos. Hoje integro o Espaço Moinho de Vento com ele, uma ocupação na cidade da Santa Maria, local onde há de yoga e aulas de dança gratuitas à serigrafia popular, lá realizamos a Escola de Formação do Hip Hop.

Nestes - quase - 19 anos de Hip Hop, de uma vida entregue ao Hip Hop e ao povo aprendi bastante, sorri bastante, suei bastante indo a pé para shows em outras cidades por não ter dinheiro, fiz apresentações em troca de pão de queijo. Da primeira letra escrita ao primeiro cachê foram 10 anos.

Realizei Batalhas de Breaking, fui apresentador de outras tantas. Com esta função fiquei conhecido pela comunidade Hip Hop do DF como um dos melhores apresentadores, por isto aproximei-me do DJ Raffa e tive um dos momentos mais intensos de minha vida que foi apresentar o Festival Hip Hop do Cerrado.

Com um CD de bases do Raffa escrevi minhas primeiras canções e agora em 2017 participarei do consagrado e histórico álbum 'DJ Raffa - 30 anos'. Já dividi palco com GOG, Jamaika e Viela 17. Chorei emocionado lendo o X - Câmbio Negro me citando numa entrevista e repetindo em vídeo ou Alemão do Sociedade Anônima me reconhecendo e dando um salve. Parei o carro tremendo quando ouvi minha música tocando pela primeira vez na Smurphies, até que em janeiro de 2017 paguei antecipadamente todas as parcelas da escola de meus dois filhos.

Vê? O Hip Hop em Mim é mais que um livro, é resgate, é fala, é pluralidade. Aprendi com o tempo, depois de falhar muito, há coletivizar o pouco que sei, o pouco que tenho. Quem escreve este livro não é apenas o Marcus Dantas, o Marquim MC ou Markão Aborígine, são mãos calejadas de diversos fazedores e fazedoras da Cultura Hip Hop no Brasil, que habitam, cantam, colorem e dançam no norte, nordeste, centro oeste, sul e sudeste.

É literatura gratuita, nossa e marginal!

Num esquenta, seguimos as regras da ABNT: Arte bairrista, nua e transgressora.
Com amor e rebeldia, o cantador que canta a dor, o natural da terra, Markão Aborígine.



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