21 abril 2011

Brasília 51: Capital do Massacre


As estórias que sempre escutamos sobre a construção de Brasília versam sobre a coragem, amor e sonho dos pioneiros, como verdadeiros heróis da nação. Leia-se aqui que os pioneiros são somente os engenheiros, políticos, enfim... burgueses.

O trabalho escravo que fora submetido aos candangos, em sua maioria nordestinos não é lembrado, tocado, pois incomoda. Como a capital da esperança trata de forma cruel seus mestres de obras, pedreiros, famílias? Pois bem, fazemos memória aqui ao Massacre da GEB.
Brasília nasceu do sonho de Dom Bosco. Mas em meio século de história a realidade vivida está mais para pesadelo que pétalas.

Especulação imobiliária, concreto que avança devastando o cerrado, nepotismo, mensalões, o maior índice em desigualdade do país, um lixo não tratado, escolas precárias e suas crianças assassinadas diariamente. Crianças que sonham um dia serem prioridade conforme diz a lei. Brasília vive no pesadelo de Conselhos Tutelares sem sequer energia elétrica.

E isto reflete os candeeiros, falta de higienização e alimentação como eram tratados os trabalhadores e trabalhadoras durante a construção. Em 1959, 1.300 operários prestavam serviços a Construtora Pacheco Fernandes Dantas, no local que hoje é a Vila Planalto.
A esperança foi erguida através de trabalho escravo, com jornadas de 24 horas, sem folgas, banho, retenção de pagamento que era semanal. Relatos apontam que o descanso e noites de sono não passavam de 04 horas.

Em 08 de fevereiro, a Capital da Esperança entrega a seus candangos refeição estragada, que soma-se as privações de eitos e trabalho árduo, o que gera descontentamento e tornou-se o estopim para um grande quebra a quebra.

Desde sempre, para defender o patrimônio, a polícia é chamada para reprimir os candangos que ali protestavam apenas por condições mínimas de trabalho. A Guarda Especial de Brasília iniciou os espancamentos dos causadores da confusão/luta/resistência. Porém naquela noite foram esmagados, amargando derrota e humilhação, que até então não conheciam.

Na mesma noite, porém mais tarde, retornaram em maior número e com armamentos reforçados, descendo de caminhões e atirando contra centenas de operários. Invadiram os alojamentos e cruelmente atiraram nas camas e beliches. Cortaram a energia.Gritos, sangue... Mas surgem versões do fato.

Moradores da época narram que viam caminhões caçambas levando corpos que foram enterrados em Planaltina ou jogados em lagoas. Jamais foram encontrados e o número de vitimas nunca foi comprovado, pois como se sabe estes candangos perderam totalmente o contato com suas cidades de origem, além das centenas de vidas perdidas nas viagens de pau de arara.

Conhecer a história para modificá-la! Esta mesma GEB que assassinou e torturou, identifico na ação policial da Novacap, Estrutural e mais recente, na cavalaria que pisoteava manifestantes contra o criminoso Arruda ou no coronel que agrediu a estudante. Jornais que “cobriram” a notícia apresentam contradições, como costume.

O presidente JK, puro e quase santo, abafou o caso, reduzindo sua importância. Jornais da época, dado o abafamento, pouco informaram sobre a quantidade, mas a presidência afirmou que fora somente uma morte. E esta mesma versão aponta para somente 27 homens armados contra 1.300 operários. Será?

Creio que Paulo Octávio aprendeu com JK a omitir fatos e enriquecer-se através da exploração. Brasília Meio Século de inverdades e construção, pois esta história ainda não findou-se.

Parabéns Ceilândia, Samambaia, Estrutural, Itapoá... Vida!

'Coletânea Escrita - Aborígine Incita' EM BREVE

2 comentários:

danca de rua disse...

Apos todo esse pesadelo em solo nacional na construção de Brasília, em solo nacional novamente essa mesma novela esta passando na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu. Atenção a todos não acreditem somente o que a mídia expõe.

@bboybart

Roberto du Vale disse...

OI Markão tudo bem parceiro, peguei sua postagem emprestada, tá muito boa, deveriamos trocar links, um abraço e fica na paz...